Provocado sobre a expulsão de famílias por traficantes em bairros de Lauro de Freitas, ex-prefeito detalhou como facções passaram a controlar comércios e serviços básicos.
Em um dos momentos mais densos de sua coletiva de imprensa em Lauro de Freitas, nesta terça-feira (26), o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, fez um diagnóstico contundente sobre a capilaridade das facções criminosas no estado. Questionado sobre episódios recentes em que dezenas de famílias teriam sido expulsas de suas residências por ordens do tráfico nos bairros de Vida Nova e Itinga, o líder político alertou que a atuação do crime organizado na Bahia rompeu as barreiras tradicionais do narcotráfico e passou a sufocar a economia legal e a liberdade individual dos cidadãos.
Neto destacou que o domínio territorial exercido pelas organizações criminosas atinge diretamente pequenos empreendedores e a prestação de serviços essenciais nas comunidades periféricas. “O homicídio é apenas um dos crimes cometidos. O crime organizado tá se utilizando da economia formal. Porque hoje, o tráfico ele acaba tendo presença em provedor de internet, em loja e distribuidor de venda de gás, de combustível, tá presente às vezes em padaria, enfim, dominando a economia formal, e amedrontando as pessoas, e tocando o terror”, denunciou o parlamentar.
O líder do União Brasil relatou ainda o drama familiar imposto pelas chamadas “fronteiras invisíveis” delimitadas pelas facções. “É impressionante, porque às vezes um familiar não consegue visitar o outro porque moram em bairros diferentes, e naquele bairro o crime organizado impede que a pessoa entre para ver a sua família. É a captura por parte do crime, do estado, do território público, do espaço do cidadão”, lamentou. Ao apontar caminhos para a retomada do controle social, Neto defendeu uma reformulação técnica baseada em inteligência, controle do sistema prisional e fortalecimento das forças policiais. “Isso só será devolvido com autoridade, com uso da inteligência, e com trabalho de articulação, empoderamento da força policial… e é claro de um governador que dê o exemplo e seja um líder no enfrentamento à violência”, concluiu.
