O presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), Carlos Henrique Passos, criticou nesta quinta-feira (24) propostas de alteração na escala de trabalho 6×1 sem discussão aprofundada sobre os impactos econômicos e sociais.
Segundo ele, eventuais medidas de compensação às empresas acabariam sendo arcadas pela própria população.
“Quando se coloca isso, é para dizer que alguém tem que pagar a conta. Mas o governo não paga a conta. Quem paga a conta é a sociedade”, afirmou.
De acordo com o dirigente, benefícios fiscais ou redução de impostos concedidos para aliviar custos empresariais tendem a gerar efeitos indiretos sobre a arrecadação pública, com reflexos para a sociedade.
Durante a declaração, Passos também defendeu que o debate sobre qualidade de vida do trabalhador vá além da jornada de trabalho e inclua questões estruturais, como mobilidade urbana e transporte público.
“Ninguém pergunta ao trabalhador se ele prefere trabalhar nove horas por dia ou passar duas horas dentro de um ônibus para ir do trabalho para casa”, disse.
Para ele, o tempo de deslocamento diário pode representar um desgaste maior do que parte da jornada formal.
“Dez minutos dentro de um ônibus é muito mais duro do que uma hora dentro de um ambiente de trabalho”, argumentou.
O presidente da FIEB afirmou ainda que o trabalho tem sido tratado de forma equivocada no debate público.
“O trabalho não é um ônus. O trabalho é um valor que nós, como sociedade, temos que valorizar, seja empregador ou empregado, porque é isso que gera riqueza para o país”, concluiu.
