Deputado resgata viradas históricas de 1986 e 2006 para explicar fala de ACM Neto sobre o peso das lideranças municipais nas eleições estaduais.
O peso do apoio de prefeitos na disputa pelo Governo da Bahia em 2026 voltou a gerar divergências entre governistas e oposicionistas. Em entrevista à rádio Baiana FM, o deputado estadual Emerson Penalva (PP) defendeu declarações do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) e argumentou que o apoio institucional de gestores municipais não garante a transferência automática de votos nas urnas.
Reagindo às declarações da base do governador Jerônimo Rodrigues (PT), que alardeia o apoio de cerca de 300 prefeitos baianos, Penalva contextualizou a fala de ACM Neto como uma resposta a provocações políticas da base governista.
“O que importa para mim é o povo. Prefeito não dá o voto que o povo dá”, disse Penalva ao citar a premissa de Neto. “Ele foi provocado dizendo que não tinha o número de prefeitos para ganhar a eleição. O que ele quis dizer é que às vezes o povo escolhe o candidato que não é aquele que o prefeito naquele momento está escolhendo”, acrescentou.
Para embasar a tese de que a vontade do eleitorado pode se sobrepor às máquinas municipais, o deputado relembrou momentos históricos da política baiana. Mencionou as eleições de 1986, quando Waldir Pires venceu o pleito estadual contra o grupo carlista, e a de 2006, quando Jaques Wagner (PT) derrotou Paulo Souto a despeito da maioria dos prefeitos estar alinhada com o governo da época.
Penalva ressaltou que ACM Neto reconhece a relevância dos prefeitos no diálogo comunitário, mas acusou o grupo adversário de tentar construir uma narrativa engessada para desvalorizar a oposição.