Ao comentar crise envolvendo PF e Judiciário, ex-ministro da Casa Civil sustentou que exposição ao vivo transforma julgamentos em palanques e compromete a estabilidade econômica.
A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça de determinar o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal motivou duras reflexões do candidato ao Senado Rui Costa (PT), em entrevista concedida nesta quarta-feira (9) à Rede Boa FM, em Alagoinhas. O ex-governador criticou a espetacularização das decisões judiciais e defendeu o fim da transmissão televisiva ao vivo das sessões do tribunal para resguardar a imparcialidade das cortes.
Rui argumentou que a publicização em tempo real contraria as melhores práticas do direito internacional. “Não tem nenhum país do mundo civilizado, com democracia estável de longos anos — nem na Europa, nem nos Estados Unidos, nem no Canadá, nem na Ásia —, em que a sua Suprema Corte seja exposta desse jeito com televisionamento ao vivo dos seus votos e dos seus julgamentos. É o único lugar do mundo. E por que ninguém faz isso e o Brasil resolveu fazer? A casa que devia julgar a Constituição das leis virou uma casa politizada, agora participando das eleições”, avaliou.
Para o candidato petista, a busca por visibilidade pública compromete a técnica processual dos magistrados. “Cada um dá um voto e leva cinco horas dando um voto. Os processos se acumulam e se atrasam. Um juiz não pode ficar dando parecer de acordo com a popularidade que vai ter a sua opinião: ele tem que dar o parecer conforme as provas, tem que fazer justiça. É por isso que o símbolo da justiça no mundo inteiro é uma estátua com os olhos vendados”, apontou.
O ex-ministro concluiu advertindo sobre os desdobramentos da judicialização da política: “Toda vez que a Justiça se mete muito no ambiente da política, dá nisso aí. Todo mundo passa a se achincalhar e não ser respeitado. Uma crise institucional impacta a economia, os investimentos e o emprego no país”.