Em entrevista à Rádio Antena 1, secretário de Justiça e Direitos Humanos criticou postura de Washington, relembrou fracassos históricos de intervenções americanas e defendeu a soberania nacional liderada por Lula.
O secretário de Justiça e Direitos Humanos da Bahia, Felipe Freitas, reagiu de forma contundente à recente decisão do governo dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. Em entrevista concedida nesta segunda-feira (1º de junho) ao programa Bahia Notícias no Ar, na Rádio Antena 1, o titular da pasta estadual rechaçou o que chamou de “tentativa de tutela” norte-americana sobre a segurança pública do Brasil e defendeu que o enfrentamento ao crime organizado deve ser conduzido de forma soberana pelas forças nacionais.
Freitas contextualizou a medida dentro da política externa do governo de Donald Trump, apontando viés ideológico e interesses econômicos por trás da canetada de Washington. “No governo Donald Trump, aliado de Bolsonaro, é bom dizer, tem escolhido achar que eles são o xerife do mundo, que eles vão mandar no mundo. Onde eles mandaram não foi bom para o país. O Afeganistão não foi bom para o Afeganistão, o Iraque não foi bom para o Iraque, o que eles fizeram na América Latina nos anos 90, na Colômbia, não foi bom para a Colômbia”, enumerou o secretário, resgatando o histórico de intervenções militares e civis promovidas pelos EUA.
Defesa da Soberania e Alfinetada no Sistema Financeiro Americano
O secretário argumentou que a resolução de problemas complexos de segurança pública não passa pela submissão a agendas estrangeiras. Para ele, o Brasil possui maturidade institucional e liderança política para traçar suas próprias diretrizes de inteligência e policiamento, elogiando a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva diante das pressões internacionais.
”Não acho que vai ser assim, um país mandando no outro, que a gente vai conseguir resolver nenhum problema. Com interesses econômicos, claro, os Estados Unidos está querendo tutelar, querendo decidir o que é que o Brasil vai fazer. Felizmente, está sentado na cadeira do presidente da República alguém que tem tamanho, estatura e dignidade para reagir a isso da maneira que isso merece”, disparou Freitas.
Ao encerrar sua análise, Felipe Freitas inverteu a cobrança e criticou a incapacidade dos próprios Estados Unidos em conter os braços financeiros das organizações criminosas internacionais que operam dentro de seu território. “Enfrentar as facções é uma tarefa, é um dever do estado brasileiro. O estado brasileiro e o seu povo têm que encontrar com as suas polícias o meio de fazê-lo. Não vai ser recebendo pito, recebendo grito dos Estados Unidos que o Brasil vai encontrar caminho para enfrentar esse problema. Até porque, os Estados Unidos não consegue enfrentar as máfias e o crime organizado que está enraizado no sistema financeiro norte-americano”, concluiu o secretário.
