Líder do governo na Alba criticou desconhecimento da superintendência local sobre as buscas, rechaçou elo com Banco Master e justificou apreensão de moeda estrangeira.
O líder do bloco governista na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), deputado estadual Rosemberg Pinto (PT), saiu em forte defesa do senador Jaques Wagner (PT-BA) após a deflagração de mais uma etapa da Operação Compliance Zero pela Polícia Federal, nesta quinta-feira (18). Em Salvador, o parlamentar subiu o tom contra a ação policial, classificando-a como uma manobra de desgaste político desprovida de lastro jurídico, e apontou estranheza no comportamento institucional da própria corporação.
Rosemberg chamou a atenção para o que considerou uma grave falta de articulação interna na PF, apontando que a superintendência regional na Bahia parecia alheia aos desdobramentos em solo baiano. Para o deputado, é fundamental separar a trajetória pessoal do líder do governo no Senado das investigações corporativas.
“Essa operação da Polícia Federal hoje, que envolve o senador Jaques Wagner, achei muito estranho o desconhecimento do superintendente da Polícia Federal aqui na Bahia. Além do mais, uma coisa é o CPF do senador Jaques Wagner, outra coisa é o CNPJ”, asseverou, destacando que conhece o correligionário há mais de quatro décadas e exaltando suas origens humildes, sindicais e sua atuação histórica na fundação do PT. “Não sinto nele nenhum desejo que o leve a fazer ações à margem da legalidade. Essa questão do CPF é o que Wagner tem que falar. A questão do CNPJ, o CNPJ tem que responder, que não é dele”, emendou.
Emenda com o Banco Master é rechaçada
O líder governista também rechaçou de forma categórica qualquer tentativa de colar a imagem de Jaques Wagner às transações e à regularização do Banco Master. Rosemberg inverteu o ônus político do caso, vinculando a expansão da instituição financeira a decisões chanceladas pelo Banco Central durante o mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro, e não a gestões petistas.
“Essa tentativa de vinculação com o Banco Master me parece uma missa encomendada. Porque as pessoas sabem que o Banco Master, quem deu legitimidade a ele foi o presidente do Banco Central indicado pelo Jair Bolsonaro”, disparou. O deputado relembrou que a direção anterior da autarquia, indicada por Dilma Rousseff, havia vetado a criação do banco, que só obteve aval após mudanças regimentais sob a indicação bolsonarista. “Não há razão de criar nenhum tipo de relacionamento histórico de Wagner com o Banco Master”, justificou.
Defesa do dinheiro em espécie e unidade do grupo
Sobre as quantias em dólares e euros apreendidas nos endereços do senador, Rosemberg minimizou o impacto do episódio. O parlamentar argumentou que os valores em espécie são perfeitamente condizentes com a rotina de missões oficiais internacionais de um político de estatura federal — destacando que Wagner retornou recentemente de uma agenda na China.
“Um homem internacional, um senador que tem relação com o mundo, achar que 35 mil euros ou 50 mil dólares é algo que é inusitado para um senador que faz pelo menos três, quatro, cinco viagens ao exterior por ano? Agora mesmo ele acabou de voltar da China”, questionou, apontando a apreensão como um factoide para tentar comprometer o senador.
Rosemberg Pinto concluiu o posicionamento garantindo a blindagem eleitoral e a coesão inabalável do grupo governista baiano. “Estou tranquilo e afirmo ao meu querido senador e amigo Jaques Wagner toda a minha solidariedade, porque temos total confiança e vamos seguir firmes com o grupo unido, com Jerônimo, com Wagner, com Rui e com Lula”, finalizou.
