Em reunião fora da agenda oficial, articulação política de Lula alinha acordos para medidas provisórias, projetos estratégicos e alianças regionais.
O Palácio do Planalto deu um passo decisivo para destravar sua articulação política no Congresso Nacional. Em uma reunião fora da agenda oficial realizada na manhã desta quarta-feira (12), no Palácio da Alvorada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Segundo o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, o encontro marcou a consolidação da reaproximação entre as partes: “as relações estão retomadas” e a interlocução “está destravada”.
Também presente na reunião, a líder do governo no Senado, senadora Teresa Leitão (PT-PE), ressaltou o clima positivo das conversas, destacando que “Alcolumbre se mostrou muito aberto” e que “o diálogo fluiu muito bem, o presidente Lula muito descontraído, e muito esperançoso”.
Desdobramento de jantar reservado e consolidação no Senado
De acordo com a articulação governista, a audiência no Alvorada desdobrou a aproximação iniciada na semana anterior durante um jantar na residência do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Guimarães destacou a evolução do diálogo: “Nós fizemos uma reunião muito importante (…) O diálogo foi retomado a partir daquela reunião anterior, e hoje nós aprofundamos esse diálogo”.
O ministro enfatizou o objetivo do Executivo de igualar a governabilidade no Senado à estabilidade já alcançada na outra Casa: “A ideia é a gente consolidar esse diálogo, que na Câmara já está 100%. E nós queremos que, sob a liderança da senadora Teresa, também no Senado, fique 100% como está na Câmara.”
Pautas prioritárias e esforço concentrado
Entre os temas debatidos no encontro estiveram a regulação dos minerais críticos, a PEC da Segurança Pública, a proposta de emenda constitucional pelo fim da escala 6×1 e o projeto de lei complementar dos combustíveis — este último com acordo firmado entre a Fazenda e o Planejamento.
Para acelerar o ritmo legislativo, ficou definida a instalação imediata das comissões mistas para seis medidas provisórias, incluindo a MP referente ao fim da taxa sobre compras internacionais (conhecida como “taxa das blusinhas”).
Apesar dos avanços, os governistas evitaram definir prazos rígidos para a votação de temas sensíveis. Sobre o fim da escala 6×1, Teresa Leitão ressaltou que “ela é uma coisa tão importante que ela precisa ser tratada com esta importância”, ponderando que a tramitação “depende do trâmite interno”.
Para Guimarães, a postura de escuta das lideranças representa “um passo gigantesco para destravar as pautas e fazermos aquilo que é de interesse do Brasil nesse pequeno período de esforço concentrado”.
Aliança regional no Amapá e agenda eleitoral
No âmbito político-eleitoral, Guimarães minimizou a ausência de um anúncio de apoio formal imediato nos moldes do feito por Hugo Motta (Republicanos-PB), frisando o alinhamento de Alcolumbre na esfera estadual: o presidente do Senado “já tem compromisso com a nossa chapa no Amapá”.
“Independente da pauta do Senado, das matérias de interesse do governo, nós temos uma chapa (no Amapá), a reeleição do governador, a candidatura do senador Randolfe e o Davi está absolutamente sintonizado com a reeleição do Lula e com o nosso palanque lá no Amapá”, declarou o ministro.
Como gesto de prestígio, Lula convidou Alcolumbre para o ato de lançamento de sua candidatura presidencial em São Bernardo do Campo (SP), agendado para o dia 16. O presidente do Senado declinou do convite para o evento justificando compromissos previamente agendados. Novos encontros entre o governo e a cúpula do Senado estão previstos até o final de semana.