Presidente comparou o clima político atual ao período de seus primeiros mandatos e relatou agressão contra operadora de caixa negra em Luís Eduardo Magalhães
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta sexta-feira (22), que a falta de civilidade passou a marcar o ambiente político brasileiro e citou como exemplo a agressão sofrida por uma operadora de caixa negra em um supermercado de Luís Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia.
A declaração foi dada em entrevista ao programa Sem Censura, da TV Brasil, apresentado por Cissa Guimarães. A participação de Lula na edição especial ao vivo havia sido anunciada pela emissora e divulgada previamente pela imprensa.
Ao comentar as diferenças entre seu atual mandato e os governos anteriores, Lula afirmou que o ambiente político de 2026 é mais hostil do que aquele encontrado em suas primeiras passagens pela Presidência da República.
“Esse terceiro mandato, eu tenho que ter consciência de uma coisa: o mundo político, não é no Brasil, mas no mundo inteiro de 2026, não é o mundo político de 2010. Nós tínhamos naquela época uma certa civilidade na relação política”, afirmou.
O presidente lembrou que enfrentou adversários do PSDB em disputas anteriores, mencionando José Serra, Geraldo Alckmin, Fernando Henrique Cardoso e Mário Covas, e contrastou aquele cenário com o atual ambiente de radicalização.
“Hoje você tem essa loucura que não tem nenhuma responsabilidade com a verdade, as pessoas que vivem fazendo desaforo, pessoas que são violentas”, declarou.
Durante a entrevista, Lula relatou ter recebido da primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, a Janja, imagens de uma agressão contra uma trabalhadora negra em um supermercado baiano. Segundo o presidente, além da violência física, o homem teria dirigido à vítima uma ofensa racial associada à posição política.
“Hoje, por exemplo, a Janja estava me mostrando no celular dela: um cidadão na Bahia foi no supermercado fazer uma compra e eu não sei o que aconteceu, que ele deu um tapa na cara da caixa, que era uma negra, e chamou de ‘negra petista’. Falou: ‘Chama a polícia, negra petista’”, disse Lula.
A agressão ocorreu na terça-feira (19), em um supermercado de Luís Eduardo Magalhães. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que um cliente atingiu a operadora de caixa, de 22 anos, com um tapa no rosto. Segundo reportagem exibida pelo Bahia Meio Dia, da TV Bahia, nenhum suspeito havia sido preso até a veiculação da notícia.
A informação de que a vítima teria sido chamada de “negra petista” foi apresentada por Lula durante a entrevista. As reportagens consultadas sobre o caso confirmam a agressão e o local da ocorrência, mas não detalham, até o momento, a suposta ofensa reproduzida pelo presidente.
Lula afirmou ainda que, ao tomar conhecimento do episódio, procurou o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), para que acompanhasse a situação.
“Eu estava no avião, passei a mensagem para o governador da Bahia e pedi para ele ir lá, porque não é possível que um cidadão desse possa…”, afirmou, antes do encerramento do trecho divulgado.
A fala do presidente relaciona o episódio de violência na Bahia ao diagnóstico de que a polarização política passou a se manifestar também em agressões pessoais e episódios com componente racial. No trecho da entrevista, Lula defendeu que a disputa pública volte a ocorrer em ambiente de respeito, contrapondo o atual cenário às relações políticas de seus primeiros mandatos.
