Salvador, 26/08/2026 18:43

Jornalismo ético compromissado com a verdade

Opinião

Luciana Buck defende autonomia financeira das mulheres como ferramenta de enfrentamento à violência

Compartilhe:

google-news-follow

No Dia Internacional da Igualdade Feminina, empreendedora e gestora destaca desafios enfrentados por mulheres no empreendedorismo, no mercado de trabalho e após a maternidade

Mais de 700 mil mulheres estão à frente de negócios na Bahia, segundo a quarta edição da pesquisa “Desafios e Oportunidades do Empreendedorismo Feminino na Bahia”, do Sebrae Bahia. O levantamento mostra que 65% dessas empreendedoras são mães, 41% são chefes de domicílio e 39% afirmam não ter apoio para cuidar da casa ou dos filhos. A pesquisa também aponta que 50% já sofreram algum tipo de preconceito por serem mulheres e empreendedoras.

Os números mostram que empreender não é o único desafio. Para muitas mulheres, a atividade profissional precisa ser conciliada com a maternidade e as responsabilidades domésticas, muitas vezes sem uma rede de apoio.

É nesse contexto que a gestora e empreendedora Luciana Buck defende a autonomia financeira como parte da discussão sobre a liberdade de escolha das mulheres.

“Ter uma renda própria não resolve sozinha a violência doméstica, mas pode dar à mulher mais condições para tomar decisões e, quando necessário, buscar uma saída de uma situação de violência”, afirma Luciana.

Maternidade e mercado de trabalho

A relação entre maternidade e permanência no mercado de trabalho também chama atenção. Dados do eSocial analisados pela Secretaria de Inspeção do Trabalho, do Ministério do Trabalho e Emprego, apontam que, entre 2020 e 2025, foram registradas 383.737 dispensas sem justa causa de mulheres em até dois anos após o término da licença-maternidade. O levantamento foi divulgado com base nos registros do eSocial.

O número, no entanto, não permite afirmar que todas essas dispensas tenham ocorrido por discriminação relacionada à maternidade. A causa de cada desligamento precisa ser analisada individualmente.

“Ter um filho não pode significar perder espaço profissional. Precisamos discutir condições para que as mulheres possam continuar trabalhando e empreendendo sem que a maternidade seja tratada como um problema”, diz Luciana.

A falta de apoio para conciliar trabalho e cuidados também aparece na pesquisa do Sebrae Bahia. Segundo o levantamento, 39% das empreendedoras entrevistadas afirmam não ter apoio para cuidar da casa ou dos filhos.

Para Luciana, medidas como ampliação do acesso a creches, políticas públicas voltadas à primeira infância, horários compatíveis com diferentes jornadas de trabalho e iniciativas de capacitação e educação financeira podem ajudar a diminuir parte dessas dificuldades.

A discussão ocorre durante o Agosto Lilás, período dedicado à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher. Em 2026, a mobilização também marca os 20 anos da Lei Maria da Penha, sancionada em 7 de agosto de 2006.

Nesta quarta-feira (26), Dia Internacional da Igualdade Feminina, a defesa da autonomia econômica ganha espaço em um debate que envolve não apenas empreendedorismo, mas também trabalho, maternidade e proteção contra a violência.

“Não existe uma medida única. É preciso criar condições para que a mulher tenha renda, possa trabalhar e empreender e tenha liberdade para decidir sobre a própria vida”, afirma Luciana.

Luciana Buck é administradora, mestre em Estratégia Empresarial, empreendedora, palestrante e professora universitária. Na Prefeitura de Salvador, atuou como diretora de Desenvolvimento Econômico da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Emprego e Renda.

Atualmente, é candidata a deputada federal pela Bahia pelo NOVO.

Jornalista, escritor e estrategista de comunicação. Profissional de visão analítica e atuação multidisciplinar, forjou-se na redação do Grupo A Tarde (jornalismo popular e cidade) e na comunicação institucional da AGERBA. Alia o faro investigativo ao rigor técnico, com experiência em coleta e análise de dados primários e econômicos para órgãos públicos. Em sua trajetória, comandou a assessoria de imprensa e a gestão de redes sociais em campanhas políticas para bases superiores a 300 mil seguidores. É especialista em redação SEO e copywriting, produzindo textos e conteúdos corporativos para gigantes do mercado (como Bradesco e Odebrecht), além de atuar como estrategista na elaboração de centenas de projetos institucionais e ESG de alto impacto para captação de recursos. No mercado editorial, codirige um empreendimento ligado a uma fraternidade esotérica e já assinou a edição final e a revisão de dois livros publicados.

Gostou? Compartilhe!

google-news-follow

LEIA TAMBÉM