O deputado federal eleito Lucas Reis (PT-BA) afirmou que o campo progressista e a bancada original do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nunca tiveram maioria isolada no Congresso Nacional, necessitando historicamente do diálogo com partidos do centro para assegurar a governabilidade. Em entrevista à rádio Antena 1, o parlamentar baiano analisou a composição da Câmara dos Deputados para a próxima legislatura e defendeu a articulação para compor o bloco de apoio à eleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) à presidência da Casa.
Segundo o parlamentar, embora tenha havido um avanço da extrema-direita e do PL, o campo progressista não encolheu; a perda de cadeiras ocorreu principalmente entre legendas de centro.
“Se você pegar a Câmara dos Deputados, teve um avanço da bancada do PL, mas não houve diminuição da bancada da esquerda. Houve um encolhimento do centro — União Brasil, PP, MDB. Nós não perdemos deputados, inclusive ampliamos: a federação foi para 88 deputados e o PT elegeu 70“, declarou Lucas Reis.
Diálogo com o centro e apoio a Hugo Motta
O deputado destacou que a busca por alianças com o centro é uma constante desde o primeiro mandato de Lula e que essa capacidade de negociação permitiu aprovações importantes no Congresso.
“Desde 2003, essa bancada original de apoio ao presidente Lula nunca foi maioria. O presidente Lula sempre precisou ir ao centro buscar apoio para garantir sua governabilidade. O fato de o Congresso não ser majoritariamente do nosso campo não impediu de aprovar medidas importantes, como a taxação de super-ricos, bancos e bets, a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 e o fim da escala 6×1“, afirmou.
Para garantir a estabilidade do governo e a aprovação das pautas prioritárias, Lucas Reis justificou a decisão do PT e da federação de apoiar Hugo Motta.
“Fizemos esse movimento na Câmara de declarar apoio ao deputado Hugo Motta para compor um bloco que envolve o centro e a esquerda. É para garantir a governabilidade do presidente Lula, a normalidade democrática e fazer as pautas do governo avançarem no Congresso“, concluiu o petista.