O governador da Bahia e candidato à reeleição, Jerônimo Rodrigues (PT), afirmou nesta quinta-feira (17), em entrevista à Rádio Sociedade, que pretende manter o diálogo com comunidades afetadas pela implantação da ponte Salvador-Itaparica.
Questionado sobre reclamações de moradores que relatam falta de diálogo com o governo estadual durante o andamento do projeto, Jerônimo disse que determinou, desde o início da gestão, o acompanhamento das comunidades localizadas na área de intervenção.
“A determinação minha, enquanto governador, foi que nenhuma comunidade ficasse sem a visita e sem o acompanhamento.”
Segundo o governador, entre os grupos que participaram das conversas estão pescadores, indígenas, quilombolas e moradores de áreas urbanas. Ele afirmou que as demandas apresentadas devem ser consideradas no planejamento das intervenções previstas para a região.
“Comunidade de pescadores, comunidades indígenas, comunidades quilombolas, comunidades urbanas, todas elas foram ouvidas e nós continuaremos fazendo.”
Lula alertou sobre valorização imobiliária
Jerônimo afirmou estar “tranquilo” em relação ao tratamento dado às comunidades e disse ter “muito respeito” pelos moradores da região.
Durante a entrevista, o governador também relatou uma orientação que, segundo ele, recebeu do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante uma visita relacionada ao projeto. De acordo com Jerônimo, Lula demonstrou preocupação com os efeitos da valorização imobiliária sobre a região.
“Uma das falas dele foi: Jerônimo, não permita que a invasão imobiliária possa destruir uma área tão bonita e tão forte de praias, de meio ambiente e de povo.”
A declaração coloca a preservação ambiental e a ocupação imobiliária entre os pontos citados pelo governador como preocupações relacionadas ao projeto. Jerônimo defendeu que a expansão da infraestrutura seja acompanhada de medidas de preservação e atenção às comunidades locais.
“Não é só a ponte”
Jerônimo também afirmou que o projeto deve ser analisado como parte de uma estrutura viária mais ampla, e não apenas como uma ligação entre Salvador e Itaparica.
“A gente fala só da ponte, mas existe um sistema viário oeste que tanto pega a ponte quanto a duplicação da ponte do Funil, pegando Santo Antônio de Jesus, de Nazaré.”
Segundo o governador, a nova configuração viária poderá reduzir as distâncias percorridas por pessoas e cargas que se deslocam de regiões como o oeste e o extremo sul da Bahia. Ele afirmou que, em determinados trajetos, a economia poderá chegar a 100, 150 ou até 200 quilômetros.
Ao final da resposta, Jerônimo reiterou a disposição de ouvir as reivindicações dos moradores das áreas afetadas pelo projeto.
“Eu gostaria muito de receber depois as demandas dessas comunidade”, afirmou.