O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), defendeu nesta terça-feira (25) a ampliação dos investimentos em segurança pública e mudanças na legislação para combater organizações criminosas no estado. Segundo ele, o enfrentamento à violência deve envolver, além das forças policiais, o Judiciário e políticas de educação.
A declaração foi dada durante entrevista à rádio Povo 103,7 FM, de Feira de Santana. Jerônimo afirmou que o Estado precisa de uma legislação capaz de impor punições proporcionais à atuação de grupos criminosos.
“Tem que ter investimento na segurança pública, que estou fazendo, vou fazer mais. Mas tem que ter uma legislação, que o Poder Judiciário seja muito forte, uma lei, uma lei que penalize o crime organizado, a altura da ação deles”, afirmou.
Governador defende tratamento diferente para reincidentes
Jerônimo citou casos de pessoas presas repetidas vezes para defender uma mudança na forma de lidar com criminosos reincidentes. Segundo ele, quem possui diversas passagens pelo sistema prisional deveria receber tratamento diferenciado.
“Todas as vezes que a gente vê a polícia prender uma pessoa que já tem 8, 10, 15 passagens, essa pessoa não pode ser tratada de qualquer forma, não pode ser, por mais que tenha habeas corpus, o advogado, a pessoa que já passou 15 vezes, 10 vezes, pelo o centro prisional ou alguma coisa do tipo, precisa ser tratada de outra forma”, disse.
O governador também defendeu medidas de ressocialização e a permanência no sistema prisional de pessoas consideradas violentas.
“A ressocialização dessa pessoa, a prisão, e se for uma pessoa violenta, ela tem que ficar no presídio, se não é socializada lá, então tem que ter lei, temos que ter uma justiça”, afirmou.
Jerônimo cita mortes após Ba-Vi
Durante a entrevista, Jerônimo mencionou as mortes registradas no fim de semana após o clássico entre Bahia e Vitória, o Ba-Vi. O governador lamentou os casos e destacou a atuação das forças de segurança na prisão de suspeitos.
“Então, uma coisa é o tempo hábil que a polícia precisa, você acompanhou esse final de semana no jogo no BaxVi, a morte de duas pessoas, lamento profundamente, um deles, inclusive, pai de uma criança, de um bebê, e no mesmo dia a polícia prendeu, levou para delegacia vinte e poucas pessoas, seis presas”, afirmou.
Segundo Jerônimo, a segurança em grandes eventos exige uma atuação que vá além do entorno imediato dos estádios.
“O cerco feito, não só no entorno do lado do estádio, mas um raio, onde aquele ambiente, ele é protegido”, declarou.
O governador comparou a operação em partidas de futebol com a segurança empregada durante grandes eventos realizados na Bahia, como o Carnaval e o São João.
“Nós fazemos a maior festa do planeta, do Brasil, é o Carnaval. E durante uma semana, uma semana e meia, circulam duas, três milhões de pessoas. Nós fazemos um São João em todos os estados e a polícia dá conta”, disse.
Educação como estratégia de segurança
Jerônimo afirmou que o combate ao crime não pode ficar restrito à atuação policial. Para ele, políticas educacionais, especialmente a ampliação do ensino em tempo integral, também devem fazer parte da estratégia de prevenção à violência.
“Então nós temos uma polícia competente. Nós temos uma polícia adequada para a gente poder fazer muito. Mas não é só a polícia”, afirmou.
O governador também citou a estrutura das organizações criminosas como um dos desafios para a segurança pública.
“Nós temos um sistema do crime organizado que eles articulam de longe, de cima para baixo, no segundo andar”, disse.
Na avaliação de Jerônimo, manter crianças e adolescentes por mais tempo nas escolas pode reduzir a exposição à criminalidade.
“Nós também temos que fazer muito para que essas crianças que você citou aí, que elas estejam na escola o dia inteiro, tempo integral”, afirmou.
Governador rebate argumento sobre custo
Ao defender o ensino em tempo integral, Jerônimo afirmou que o custo da política pública deve ser analisado diante dos efeitos sociais da falta de investimento. Ele citou uma crítica atribuída ao prefeito de Feira de Santana, Zé Ronaldo (União Brasil), sobre os custos da medida.
“Aí o prefeito de Feira diz, ah, mas é caro, é caro. Caro é a nossa criança sem poder estar na escola aprendendo mais, estudando mais”, afirmou.
Jerônimo concluiu defendendo que investimentos em educação devem ser considerados também como parte das políticas de segurança pública.
“Então, educação, alguém pode dizer que é caro, o valor pode ser alto, mas as consequências são benéficas ou maléficas de acordo com o investimento aplicado”, declarou.