O governador da Bahia e candidato à reeleição, Jerônimo Rodrigues (PT), criticou nesta quinta-feira (20) a estrutura da rede pública de saúde durante os governos do grupo político adversário e comparou o número de hospitais construídos nas últimas décadas.
Em entrevista ao Blog do Valente, em parceria com a rádio Andaiá, Jerônimo afirmou que, enquanto administrações anteriores ligadas ao grupo carlista teriam construído dois hospitais em 20 anos, sua gestão teria entregue 15 unidades em três anos e meio. O governador também relembrou situações em que ambulâncias permaneciam por dias na porta de hospitais à espera de atendimento.
“Eu perguntei ao meu opositor, seu grupo ficou 20 anos no governo, nós estamos indo para 20, só eu construí 15 hospitais, eles ficaram 20 e construíram dois hospitais. Então, não rendia, não rendia, não tinha policlínicas”, afirmou.
Jerônimo citou ainda a ampliação da demanda por exames, cirurgias e acompanhamento médico. Segundo o governador, o crescimento da procura está relacionado ao aumento da oferta de serviços e à maior conscientização da população sobre a necessidade de cuidados preventivos.
“Nós ao longo do tempo não entendíamos que tínhamos direito a exames, você encontrar uma senhora de 60 anos, dentro de casa nossa, a cultura nossa era de não fazer exames, não era porque a gente não tinha consciência, é porque a gente não tinha chance”, disse.
O petista afirmou que a ampliação da estrutura do SUS exige investimentos em hospitais, policlínicas e novos leitos. Segundo ele, sua gestão teria aumentado a capacidade da rede estadual e contratado vagas também na iniciativa privada.
“Então essa oferta é o que faz a gente, assim, nós estamos aumentando, eu tô falando de seis mil novos leitos, entregues, compactuados, tanto leitos da rede estadual quanto contratualizados.”
Ambulâncias à espera de vagas
Ao comentar o funcionamento da rede de regulação, Jerônimo relatou conversa com um prefeito que, segundo ele, descreveu uma realidade anterior em que ambulâncias ficavam por até três dias nas portas de hospitais, com pacientes à espera de vagas.
“Era eu quem liberava os carros, as ambulâncias pra levar os doentes. Deixa eu lhe dizer aqui, tinha dia que a ambulância ficava dois, três dias com o doente dentro do carro, porque não podia entrar, nem vaga de corredor tinha.”
O governador disse que a situação teria mudado com a ampliação da rede hospitalar, embora reconheça a necessidade de novos investimentos.
“Hoje, pode perguntar ele como é que faz, o carro vai, leva e volta e manda buscar. Então eu sei que tem que fazer muito, e não tô botando culpa em prefeito.”
Jerônimo também relacionou a superlotação dos hospitais à ausência ou insuficiência da atenção básica nos municípios. Segundo ele, casos de menor complexidade deveriam ser atendidos inicialmente em unidades básicas de saúde e UPAs, evitando a concentração da demanda em hospitais regionais e de alta complexidade.
“Se no SUS, o que é o SUS? É a prefeitura que faz a atenção básica. Então se alguém tiver um problema de desarranjo intestinal, uma desinteria, alguma coisa do tipo, não tem que ir pro Prado Valadares, em Jequié. Não tem que ir pro Cleriston Andrade, em Feira de Santana. Não tem que ir pro Regional, em Santo Antônio de Jesus. Tem que ir numa UBS, numa UPA.”
Crítica a Feira de Santana
O governador voltou a citar Feira de Santana, segunda maior cidade da Bahia, ao afirmar que o município não possui hospital municipal. Jerônimo mencionou a pressão sobre o Hospital Geral Clériston Andrade e atribuiu parte da sobrecarga à falta de uma unidade sob responsabilidade da prefeitura.
“Você imagina que Feira de Santana, a maior cidade, uma das maiores do Norte e Nordeste de interior, não tem um hospital municipal. População de 700 mil pessoas, Feira de Santana não tem um hospital municipal. E o atual prefeito ficou 4 ou 5 mandatos. Não fez um hospital?”
Jerônimo afirmou que o governo estadual também pretende ampliar a oferta de atendimento fora da capital e citou projetos voltados ao tratamento de câncer em diferentes regiões do estado, com o objetivo de reduzir os deslocamentos de pacientes até Salvador ou Feira de Santana.
“Então essa oferta é o que faz a gente, assim, nós estamos aumentando”, afirmou o governador, ao defender a expansão da rede pública de saúde como estratégia para reduzir a pressão sobre os grandes hospitais.