Investigado pela PF por suposto recebimento de apartamento de luxo como vantagem indevida, senador baiano afirma que fez apenas um acordo de recompra futura com investidor.
O senador Jaques Wagner (PT-BA) quebrou o silêncio nesta quinta-feira (18), em entrevista à BandNews TV, sobre a inclusão de um apartamento de alto padrão localizado no bairro do Horto Florestal, em Salvador, nas investigações da Polícia Federal. O imóvel é apontado pelos investigadores como suposta propina, mas o parlamentar alega tratar-se de um planejamento familiar financeiro para sua filha.
Segundo o petista, o edifício ainda está em fase de obras e nunca houve transferência de patrimônio ilegal para o seu nome. Wagner detalhou que buscou o empresário e investidor Augusto Lima, conhecido como “Guga”, para intermediar a aquisição da unidade até que ele tivesse o fluxo de caixa necessário para assumir o negócio.
“Eu tinha interesse de dar um apartamento ou de ajudar minha filha a comprar um apartamento desse. Como o Guga, o Augusto Lima, é um investidor, eu disse a ele: ‘Você pode comprar, depois eu vou recomprar’, porque o apartamento tá em construção, não tá pronto”, explicou o ex-governador da Bahia. A estratégia, segundo ele, dependia da venda de um imóvel antigo de sua filha para quitar os valores ou obter um financiamento imobiliário regular.
O senador também aproveitou o espaço para desvincular sua imagem e sua gestão passada de operações financeiras envolvendo o Banco Master e o cartão Credicesta. Wagner relembrou que o grupo privado assumiu as operações de crédito após um processo de desestatização. “Nós privatizamos a rede de supermercado Cesta do Povo e essa rede levou junto o cartão. Daí para frente, foi um negócio desenvolvido pelo banco e pelo próprio Augusto Lima”, defendeu-se, reforçando inexistir qualquer relação comercial ou benefício político ilícito de sua parte.
