O senador Jaques Wagner (PT-BA) classificou como uma “vergonha” a conduta do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em agendas recentes nos Estados Unidos. Em entrevista à rádio 93FM de Jequié (BA), o parlamentar governista subiu o tom contra o principal herdeiro político da oposição e questionou a defesa de medidas econômicas restritivas que afetam a indústria nacional.
A crítica de Wagner mira a postura de deputados e senadores da ala bolsonarista que têm mantido interlocução com o governo de Donald Trump, em um momento em que Brasília tenta mitigar os impactos da imposição de barreiras alfandegárias.
“Na verdade, eu considero uma vergonha a atuação do candidato de oposição ao presidente Lula, filho do ex-presidente da República”, declarou Jaques Wagner. “Sinceramente, eu fico impressionado como é que alguém que se propõe a ser presidente da República do Brasil —um país de uma grandeza enorme, um país de destaque internacional— e parece mais que está se candidatando a funcionário do governo americano”.
Empresariado e o impacto do ‘tarifaço’
O ex-líder governista argumentou que as tratativas da oposição em solo americano geram desconforto, inclusive no setor privado nacional, que teme os desdobramentos comerciais das tarifas sobre as exportações de aço, alumínio e commodities agrícolas brasileiras.
Reação do mercado: Wagner apontou que há uma “reação grande hoje de empresários” contrariados com os acenos da oposição às restrições econômicas externas.
Soberania em xeque: “Como é que o cara vai para lá defender que o nosso país seja punido injustamente com o chamado ‘tarifaço’ do governo americano?”, questionou o senador.
Wagner exalta ‘postura altiva’ e balanço de 2025
Para contrapor a atuação de Flávio Bolsonaro, Jaques Wagner defendeu a estratégia diplomática adotada pela gestão de Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o parlamentar, o Palácio do Planalto respondeu de forma robusta e altiva às medidas restritivas de Washington por meio da abertura de novos mercados alternativos.
“O presidente Lula teve uma postura muito altiva”, afirmou o senador, citando as ações tomadas a partir de meados do ano passado. “Ele, em vez de ficar chorando pelos quatro cantos, chamou o empresariado, fomos à luta, chamou a diplomacia brasileira e conseguimos ampliar o nosso comércio exterior, abrindo mais de 500 pontos de venda para o Brasil”.
O senador baiano concluiu apresentando dados do balanço comercial anterior para mitigar o peso das ameaças fiscais externas sobre o PIB nacional. De acordo com Wagner, as exportações brasileiras conseguiram fechar o ano de 2025 com um crescimento superior a 10%, a despeito do cerco tarifário americano, graças à diversificação das rotas de comércio global.