Presidente da Associação Comercial da Bahia alertou que a medida pune pequenos empresários e confirmou encontro com o relator da proposta para cobrar debate técnico e desoneração.
A presidente da Associação Comercial da Bahia (ACB), Isabela Suarez, subiu o tom contra o texto atual da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. Em entrevista concedida ao portal Política ao Ponto nesta quarta-feira (6), durante o evento Index 2026, no Centro de Convenções de Salvador, a dirigente classificou a tramitação da matéria como precipitada e acusou a classe política de usar o tema para ganho nas urnas.
Questionada sobre os impactos da mudança — que já gera alertas de demissões em grandes empresas do setor aéreo, como a Latam —, Isabela foi categórica ao defender que a pauta pune quem move a base da economia. “A pauta tem sido colocada como se isso fosse um assunto de grandes empresários […] mas ele é um assunto, acima de qualquer coisa, do micro e do pequeno empresário, que é responsável majoritariamente pelo nosso tecido econômico e social”, argumentou a dirigente.
A presidente da ACB reforçou que o empresariado baiano não é contra a modernização das leis trabalhistas, mas exige transição e contrapartidas. “Quando você traz uma pauta como essa, num ambiente eleitoral, e que você não conversa nem propõe ao setor produtivo pelo menos um prazo pra implementação, alguma proposta em relação à desoneração, isso muito nos preocupa”, destacou.
Para tentar frear o avanço do texto nos moldes atuais, Isabela Suarez confirmou uma cartada decisiva da entidade para a próxima semana. “A nossa rodada se encerra na próxima segunda-feira, quando vamos receber o deputado federal Leo Prates, relator da medida na comissão especial, onde mais uma vez o setor produtivo faz um apelo para que a discussão seja feita de forma técnica”, anunciou.
Preocupada com o reflexo nos custos para a população e no setor de bares e restaurantes — vital para o turismo em Salvador —, a presidente finalizou com uma dura crítica aos parlamentares: “A sensação que nós do setor produtivo temos é que isso virou um grande palanque eleitoral para a conquista de votos, sem nenhuma responsabilidade de discussão com o setor produtivo.”
