A relação entre tecnologia, ancestralidade e desigualdade racial será tema de debates na 14ª edição da Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica), que começa nesta quinta-feira (5) e segue até domingo (8), no Recôncavo Baiano. A programação da Tenda Paraguaçu reúne pesquisadores, escritores, artistas e intelectuais para discutir os impactos da inteligência artificial, o racismo nas plataformas digitais e a preservação das narrativas negras.
Um dos destaques da abertura será o encontro entre a cientista da computação e ativista antirracista Nina da Hora e a jornalista Miriam Leitão. Marcada para quinta-feira, às 11h, a mesa “Penso, logo… IA: distopias à vista?” terá mediação do especialista em cultura Zulu Araújo e abordará os desafios éticos da inteligência artificial, com atenção à reprodução de desigualdades raciais por sistemas tecnológicos.
A programação do primeiro dia também inclui o sarau “Sued Nunes Não Anda Só”, às 19h. O encontro reúne artistas negros da Bahia em apresentações literárias e musicais. Além da cantora e compositora Sued Nunes, participam Afropecado, poeta e produtora cultural; Duda Santhana, poeta e declamadora; MC Jaynne, rapper e compositora; e Matheus Kawan, escritor e pesquisador.
Na sexta-feira (6), às 15h, a discussão será sobre memória e produção de conhecimento a partir de perspectivas africanas e da diáspora. A mesa “Inteligência ancestral, memórias afrofuturistas” terá a participação do escritor Ale Santos e do pesquisador, professor e tradutor Cesar Sobrinho. A mediação ficará a cargo da professora e crítica literária Cristian Sales.
O encontro pretende discutir a tradição oral como instrumento de preservação de saberes e construção de imaginários sobre o futuro. Ale Santos é conhecido pela produção literária ligada ao afrofuturismo, enquanto Cesar Sobrinho desenvolve trabalhos de tradução de contos populares africanos e afrodiaspóricos do francês para o português.
O encerramento da programação temática ocorre no sábado (7), às 18h, com a mesa “Inteligência artificial e racismo – Algoritmos da branquitude”. O debate terá como convidados Nilma Lino Gomes, pedagoga, escritora e ex-ministra das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, e Tarcízio Silva, pesquisador em políticas tecnológicas e doutor em Ciências Humanas e Sociais. A mediação será da professora e vice-reitora da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Jamile Borges.
A conversa abordará como ferramentas digitais e sistemas de inteligência artificial podem reproduzir preconceitos e estruturas históricas de poder, além dos efeitos dessas tecnologias nas relações étnico-raciais no Brasil.
Programação e acesso
A 14ª Flica será realizada entre os dias 5 e 8 de novembro, na Beira do Rio Paraguaçu, em Cachoeira. As atividades da Tenda Paraguaçu têm entrada gratuita.
O evento é realizado pelo Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), com patrocínio da Petrobras e apoio da Embasa, do Sebrae, da Prefeitura de Cachoeira e do governo da Bahia, por meio das secretarias estaduais de Cultura (Secult) e da Fazenda (Sefaz).
A edição também integra o projeto Bahia Literária, desenvolvido pela Fundação Pedro Calmon (FPC) e pela Secretaria da Educação do Estado (SEC). A produção é da Schommer Produções.
Serviço
- Evento: 14ª Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica)
- Quando: 5 a 8 de novembro de 2026
- Local: Beira do Rio Paraguaçu, Cachoeira (BA)
- Entrada: Gratuita