Deputado estadual denuncia aumento de 213% na fila da regulação e revela municípios no interior operando sem delegados e com efetivo mínimo.
SALVADOR — O deputado estadual Sandro Régis (União Brasil) desferiu duras críticas aos indicadores sociais e de infraestrutura do governo de Jerônimo Rodrigues (PT) durante sua participação no Giro Baiana nesta quinta-feira (18). O parlamentar acusou a gestão estadual de priorizar a propaganda institucional em detrimento da eficiência real dos serviços prestados, resultando no que classificou como um colapso na saúde e na segurança pública do estado.
Na área da saúde, Régis utilizou dados que atribuiu a auditorias oficiais do Tribunal de Contas do Estado (TCE) para apontar um agravamento severo no sistema de atendimento de média e alta complexidade. O parlamentar desafiou publicamente a secretária de Saúde do Estado, Roberta Santana, a explicar o crescimento vertiginoso na espera por leitos. “Quais são os dados que apontam que a fila da regulação aumentou em 213% de espera para os baianos? Ela tem que responder por que os hospitais regionais, muitos estão parados sem insumos para câncer, com os médicos com quatro, cinco meses sem receber salário”, disparou. Ele argumentou que a entrega de novas policlínicas e maternidades se tornou apenas uma estratégia de marketing, pois as unidades carecem de corpo técnico e insumos básicos. “O governo do PT fez bonitos equipamentos, sim, mas não funciona porque não tem mão de obra. Eles gostam da foto. A foto é beleza, mas vai ver o funcionamento como é que está”, emendou.
O desabastecimento institucional também foi a tônica das críticas direcionadas à segurança pública. Reagindo ao vivo à denúncia de uma ouvinte sobre a desativação silenciosa de uma base policial no bairro de São Caetano, em Salvador, o deputado afirmou que a falta de efetivo humano é uma realidade crônica que desidrata o combate à criminalidade. De acordo com Régis, o governo estadual tem inaugurado novas sedes de delegacias no interior da Bahia sem a correspondente contratação de pessoal. “O que você está vendo agora esses caras viajarem aí para inaugurar equipamento de delegacia, ok… não tem um delegado. É muitas vezes um agente ou um delegado para três cidades. Tem cidades aí com população de 22.000 pessoas que só têm um agente e um policial e não têm delegado. Isso funciona?”, questionou, atribuindo a responsabilidade da falha operacional diretamente ao delegado-geral e ao governador.
Sobrou espaço ainda para críticas à mobilidade na capital. Sandro Régis rebateu o otimismo governista quanto às obras do VLT e à entrega da nova rodoviária de Salvador, afirmando que o novo terminal penaliza financeiramente a população que vem do interior. “A rodoviária nova, o cidadão está gastando agora quatro vezes mais para chegar lá. Pergunte a quem anda de ônibus, a quem vem de Itaberaba para vir para Salvador, se estão satisfeitos. Pergunte à turma dos camelôs. Uma coisa é você ter suas preferências pessoais, outra é defender algo que vem prejudicando o coletivo”, concluiu o parlamentar.
