Em sabatina realizada no programa Eleições na Aratu, o governador da Bahia e candidato à reeleição, Jerônimo Rodrigues, defendeu o fim da escala de trabalho 6×1 e a transição para a escala 5×2. Durante sua fala, o gestor ressaltou a importância da pauta para a qualidade de vida da classe trabalhadora, rebatendo os discursos contrários e destacando os impactos positivos para a saúde e para a produtividade do setor empresarial.
Jerônimo comparou as críticas atuais sobre a mudança de jornada ao momento histórico da criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) no país.
“Eu acompanhei e repito: respeito a posição das federações. Tenho relação próxima com eles. Tratamos recentemente agora dentro da Federação das Indústrias sobre o tarifaço, sentamos juntos para traçar uma estratégia, não só dessa vez. Mas é o mesmo discurso — não estou falando das quatro federações —, quem é contrário é o mesmo discurso de quando o Brasil resolveu entregar ao trabalhador a carteira assinada.”
“Aquele momento houve um desagravo, uma posição contrária dizendo: ‘vai ter desemprego, vai ter inflação, vai ter prejuízo para os empresários’. Não se trata disso. Hoje nós já temos a carteira assinada e é uma conquista do trabalhador.”
O candidato reforçou que o debate não deve ser partidarizado ou encarado sob polarização política:
“Eu ainda digo mais: espero que esse debate não seja contaminado pelo lulismo ou pelo bolsonarismo. Esse tema não é de esquerda ou de direita, é um direito do trabalhador. Um pai, uma mãe ter mais um dia de descanso para cuidar da saúde, da família… E alguém ainda pode dizer: ‘mas ele vai vender o dia dele’. Ele que venda, é dele o direito, a força é do trabalhador.”
Ao tratar do trâmite legislativo no Congresso, o governador defendeu uma transição equilibrada e enfatizou que mais tempo livre resulta em ganhos para o próprio mercado produtiva:
“Espero que o Senado encontre, inclusive, uma forma transitória com tempo suficiente. Eu não torço contra prejuízo de empresário, pelo contrário. E tenho certeza que quando um trabalhador tem tempo para cuidar da família, tem tempo para estudar ou para ler, tem tempo para cuidar de sua saúde, ele produz mais. E quem vai ganhar com isso é o setor empresarial.”
“Não está dito que vai ser a partir de amanhã depois de votado. Espero que o Senado, que tem essa ponderação sempre feita no equilíbrio — é uma casa do equilíbrio —, possa fazer o processo de votação para que os trabalhadores e trabalhadoras deste país [sejam contemplados].”
Por fim, Jerônimo dedicou atenção especial ao impacto da jornada atual sobre as mulheres, classificando a mudança como uma pauta humanitária:
“Especialmente as mulheres. Quem mais padece com essa escala de 6×1 são as mulheres. Porque além de ter uma jornada no trabalho, ainda pega aquele dia dela e, ao invés de descansar ou cuidar da família, vai preparar para a semana seguinte. Então é uma questão também humanitária e eu acho que a escala 5×2 é um direito da classe trabalhadora.”