O ministro da Casa Civil, Rui Costa, elevou o tom contra o ex-prefeito de Salvador ACM Neto e afirmou que a oposição tenta desqualificar lideranças de origem popular ao comentar declarações recentes envolvendo o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues.
Durante agenda neste sábado (6), Rui rebateu críticas de ACM Neto e disse que a postura do adversário político reflete uma visão elitista sobre o exercício do poder. Segundo o ministro, não houve deslize nas declarações do ex-prefeito, mas a exteriorização de um pensamento que, segundo ele, ainda persiste em setores da elite brasileira.
“Eles vivem pra humilhar quem veio do interior, quem veio da periferia, e que na cabeça deles não pode nunca ter ascensão social, nunca pode ter ascensão ao poder, pra eles, filho da oligarquia, o poder deve ser passado de pai pra filho, de filho pra avó, pra neto, porque é herança, então não foi deslize, ele apenas falou o que tá na cabeça dele e o que tá na cabeça de uma parte da elite do atraso, e por isso ele vai perder mais”, afirmou Rui Costa.
O ministro associou as críticas dirigidas a Jerônimo Rodrigues a preconceitos históricos contra pessoas de origem humilde e do interior do país. Rui argumentou que a tentativa de desqualificação política ocorre em razão da trajetória social do governador baiano.
“Quantas vezes todos nós já ouvimos pessoas preconceituosas dizerem, ele é do nordeste, ele é do interior, ele é da favela, ou seja, a forma preconceituosa e que eles vivem tentando humilhar essas pessoas, humilham no olhar, olhar de cima pra baixo, humilham porque vê a roupa que a pessoa tá vestindo, humilham porque tem origem, o pai é vaqueiro, porque a mãe é empregada doméstica, então ele falou o que ele pensa e os amigos dele pensam”, declarou.
A fala ocorre em meio ao acirramento da disputa política na Bahia e à troca de críticas entre aliados do governo estadual e a oposição. Rui Costa tem atuado como um dos principais defensores de Jerônimo Rodrigues diante dos ataques de adversários e frequentemente associa os embates políticos a uma disputa entre projetos de poder e origens sociais distintas.
O episódio reforça a antecipação do clima eleitoral no estado, onde governistas e oposicionistas já intensificam movimentos e discursos de olho nas eleições de 2026. Enquanto a oposição busca desgastar a gestão estadual, aliados de Jerônimo tentam transformar as críticas em argumento para mobilizar eleitores identificados com trajetórias populares e do interior baiano.
