O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), levantou neste domingo (13) o sigilo das investigações que apuram supostos desvios de recursos públicos relacionados à produção do filme “Dark Horse”, que narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
As apurações envolvem suspeitas de irregularidades com emendas parlamentares federais, contratos firmados com a Prefeitura de São Paulo e pessoas relacionadas ao deputado federal Mário Frias (PL-SP).
Segundo documentos da investigação, a Polícia Federal aponta Frias como um possível “agente central” de uma organização criminosa que teria ramificações até o Primeiro Comando da Capital (PCC). A suspeita é de que parte dos recursos utilizados no esquema tenha origem em emendas parlamentares destinadas pelo deputado ao Instituto Conhecer Brasil (ICB).
A entidade é administrada pela empresária Karina Gama, cuja produtora, a Go Up Entertainment, é responsável pelo longa-metragem. O ICB também utilizaria a mesma estrutura associativa para firmar contratos com a Prefeitura de São Paulo no âmbito do programa “Wi-Fi Livre SP”.
Entre as empresas subcontratadas para fornecer internet em regiões periféricas da capital paulista está a Urban Connect Serviços e Tecnologia, que teria recebido mais de R$ 7,8 milhões do instituto.
De acordo com a inteligência da PF, o controlador original da empresa, Alex Leandro Bispo dos Santos, é apontado como integrante relevante do PCC.
Ao reunir os documentos da investigação, Dino afirmou que as suspeitas envolvendo emendas parlamentares e contratos municipais não seriam casos isolados. Para o ministro, os elementos indicariam a existência de um sistema com atuação interestadual.
“Essa organização alcançaria, inclusive, vínculos com a facção PCC (Primeiro Comando da Capital)”, registrou Dino no despacho.
O ministro também citou de forma reiterada o nome de Mário Frias nos documentos e ressaltou que, “no terreno hipotético da investigação”, o deputado ocuparia um possível papel de liderança na suposta estrutura criminosa.
Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados