O senador Ângelo Coronel (Republicanos-BA) afirmou que aceitaria “tranquilamente” o apoio e os votos de antigos aliados do PSD e do PT, apesar de classificar sua recente perda de espaço de articulação dentro da sigla como uma “defenestração” e uma “traição”. As declarações foram dadas em entrevista ao programa “Vem Que Tem”, da Rádio Sociedade, na noite de terça-feira (6).
Durante a sabatina, ao ser questionado se aceitaria o apoio de antigos companheiros de coalizão, o parlamentar minimizou o mal-estar eleitoral.
“Inclusive, eu quero que todos eles que estavam lá do lado que eu estava, no PSD unido com o PT, se votarem comigo, não tenho nenhum problema de aceitar. Aceito tranquilamente”, declarou Coronel.
O tom pragmático em relação às urnas, contudo, contrastou com o desabafo sobre os bastidores da decisão partidária que afetou suas pretensões de tentar a reeleição ao Senado com o suporte da legenda. Coronel revelou ter sido pego de surpresa com a notícia de que o partido não manteria a defesa de seu espaço para mais um mandato de oito anos.
“Eu estava viajando, fora do Brasil, e quando eu soube que o nome do PSD não seria o meu e que o partido não iria indicar ninguém, para mim foi uma surpresa”, relatou o senador. “Quem deveria sentir raiva seria Ângelo Coronel, porque foi, na verdade, uma defenestração.”
Instigado pelo entrevistador a comparar a aliança política de 11 anos a um casamento e definir se considerava-se o traidor ou o traído no processo, Coronel não hesitou em apontar o dedo para a Executiva.
“Na verdade, houve uma traição à minha pessoa. Porque se eu soube por uma emissora de rádio, então não foi nada combinado, não foi no consenso”, disparou, recorrendo ao ditado popular de que “o traído é sempre o último a saber”. O senador salientou ainda que as declarações que comprovam o anúncio súbito estão gravadas nos registros da rádio CBN.
Apesar da queixa pública com o episódio, que classificou como “muito triste”, o congressista garantiu que o ressentimento ficou no passado e que busca virar a página para as próximas composições. “Como eu não guardo raiva, já dissipou da minha mente. Estou com a página zerada para não ter nenhuma lembrança sobre esse episódio”, concluiu.