Iniciativas da Fundação Pedro Calmon englobam a criação de 300 espaços literários em comunidades vulneráveis, a aquisição de 30 mil livros e a valorização de autores locais.
O Governo da Bahia, por meio da Fundação Pedro Calmon (FPC), anunciou um repasse de R$ 5 milhões destinado a um amplo pacote de políticas públicas de incentivo ao livro, à leitura e à preservação da memória cultural. O lançamento das ações, realizado na Biblioteca Central da Bahia, em Salvador, reuniu gestores públicos, pesquisadores e representantes do setor editorial, com o objetivo de descentralizar o acesso à literatura e ampliar a rede de equipamentos culturais pelos 27 Territórios de Identidade do estado.
O grande destaque do investimento é o projeto Pouso da Palavra, inspirado no legado do poeta e fotógrafo baiano Damário da Cruz. A iniciativa promoverá a implantação e a modernização de 300 espaços de leitura voltados para comunidades quilombolas, indígenas, de terreiro e populações em situação de vulnerabilidade social.
Cada um dos novos espaços será equipado com um acervo de 100 livros físicos, além de um kit tecnológico contendo notebook, televisão, câmera digital, microfone e caixa de som. O projeto também garantirá a capacitação técnica de agentes locais para a gestão dos acervos e a mediação de leitura. Para suprir essa demanda, a Fundação selecionou 30 editoras baianas que fornecerão 30 mil obras às bibliotecas públicas e comunitárias. A medida representa um incentivo econômico direto ao mercado editorial do estado, contemplando, de forma inédita, o segmento independente e a literatura de cordel.
Mapeamento, curadoria e memória
Durante o evento, o Estado oficializou o lançamento do catálogo Bahia de Todos os Livros, um guia curatorial inédito no Brasil que reúne mais de 700 obras produzidas no estado com lançamento datado para 2025. O documento tem a missão de dar visibilidade a autores e editoras locais e servirá como referência oficial para a curadoria de feiras, festivais e bienais literárias que contem com o apoio do poder público baiano.
O cronograma de ações inclui ainda a atualização do Plano Estadual do Livro e da Leitura, que estabelecerá as metas do setor para a próxima década, e o início da Bahia que Lê, uma pesquisa diagnóstica inédita desenhada para mapear os hábitos de leitura da população baiana e orientar futuras políticas públicas.
Para além do eixo estritamente literário, o evento na Biblioteca Central também foi palco da entrega do caderno Ofício das Baianas de Acarajé. Publicado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), o material documental resgata a trajetória histórica dessas mulheres, exaltando sua contribuição inestimável para a consolidação da identidade baiana e para a preservação das tradições e manifestações afro-brasileiras.