A poucos dias do início oficial da campanha eleitoral, a candidata ao Senado pelo PSOL, Professora Delliana Ricelli, aparece com espaço real de crescimento na disputa. É o que mostra a mais recente pesquisa Realtime Big Data (registro BA-00277/2026), divulgada nesta terça-feira (11), com 1.600 entrevistas e margem de erro de 2 pontos percentuais.
Delliana soma 5% das intenções de voto no cenário consolidado, atrás de quatro nomes já testados nas urnas: os senadores Jaques Wagner e Ângelo Coronel, e os ex-ministros Rui Costa e João Roma. À frente, porém, aparece um dado que pode pesar mais a favor da candidata do que contra: 17% do eleitorado baiano ainda não decidiu seu voto para o Senado, somando brancos, nulos e indecisos.
Além disso, a professora destacou que “as pessoas estão cansadas do ‘mais do mesmo’, das mesmas caras e dos mesmos títulos. Inclusive de perceber que o poder é passado geracionalmente: é o filho, o neto, o sobrinho. Temos essa necessidade de mudança porque entendemos que, enquanto essas pessoas estiverem no poder, eles vão estar pensando neles e não em nós”.
Para Delliana, essa distância em relação aos concorrentes tem explicação na própria estrutura da disputa. Em entrevista ao programa Política Ao Vivo, na última segunda-feira (10), a candidata classificou o cenário eleitoral como resultado de uma engrenagem que historicamente favorece um perfil específico de político.
“Não basta mais a gente ser representada por homens brancos, ricos, bem letrados, que têm toda uma estrutura de poder que garante que eles consigam manobrar esse processo político com mais tranquilidade”, disse.
Na avaliação da professora, romper essa lógica exige presença de outros grupos nos espaços de decisão, entre eles mulheres negras como ela. Essa desigualdade de largada ajuda a entender também por que a professora ainda é pouco conhecida do grande eleitorado, apesar do crescimento identificado na pesquisa.
Sem recursos de campanha equivalentes aos dos adversários, Delliana relatou que sua presença tem se construído longe da estrutura tradicional de mídia. “O fato de não ter financiamento, de fazer uma campanha de ônibus e de carro, faz com que o conhecimento sobre mim venha muito mais pelas redes sociais”, afirmou. A candidata aposta no contato direto e nas redes sociais como caminho de crescimento até outubro, exatamente entre a fatia de eleitores ainda sem voto definido.
Ela também recorre à própria trajetória para justificar por que enxerga essa candidatura como parte de um processo mais amplo. Ao ser questionada sobre como está se preparando para enfrentar concorrentes já consolidados na política baiana, respondeu que carrega consciência do lugar de onde parte.
“Sei quem eu sou, de onde vim e sei que, enquanto mulher negra, eu nunca fui preferida em nenhum momento. Essa é uma oportunidade de me apresentar enquanto candidata para o eleitor baiano e isso nos faz entender que a gente precisa de reparação”, declarou. Para ela, essa fala não é lamento, mas ponto de partida: se o poder é bom, argumenta, mulheres negras também precisam ser parte dele.
Apoiadora declarada da reeleição do presidente Lula, Delliana faz questão de separar sua candidatura da disputa no mesmo espectro político entre os concorrentes ligados ao PT. Ela recordou a fala do presidente, feita em convenção, sobre não precisar do voto de quem agride mulher, e disse acreditar que uma conversa rápida bastaria para alinhar posições. “Eu duvido que o presidente Lula, que disse que não precisa do voto de quem agride mulher, não me apoiaria se me conhecesse. Ele entende a necessidade de ter uma mulher nesse espaço”, afirmou a candidata, lembrando que o Senado levou 50 anos para ter o primeiro banheiro feminino.
Como há duas vagas em disputa, a psolista reforça não estar competindo pelo primeiro voto do eleitor lulista, mas por uma oportunidade histórica: a de emplacar uma mulher negra na bancada baiana no Senado.