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Cinco horas inesquecíveis, e uma pergunta que continua sem resposta

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Por Josalto Alves

“O que acontece quando uma aeronave precisa alternar o pouso em um dos principais polos econômicos do interior da Bahia e não encontra, nas proximidades, uma rede suficientemente estruturada de aeródromos capazes de oferecer alternativas operacionais”?

Faço essa pergunta lembrando da luta desenvolvida pelo deputado estadual Hassan (PP) e pelo ex-prefeito de Jequié, Zé Cocá, pela implantação de um aeroporto regional no Entroncamento de Jaguaquara, visando o desenvolvimento socioeconômico da região, e recordando as cinco horas mais angustiantes da minha vida, a bordo de uma aeronave.

Quinta-feira, 8 de novembro de 2012. Às 17 horas desse dia, eu, o então secretário estadual da Agricultura, Eduardo Salles, o diretor de Defesa Animal da Adab, Rui Leal, e o fotógrafo Heckel Junior, decolamos de Salvador, a bordo de um bimotor Cessna, com destino a Barreiras. No roteiro, os municípios de Santa Rita de Cássia e Mansidão, onde no dia seguinte faríamos o lançamento da segunda etapa da vacinação contra aftosa.

Deveria ser uma viagem tranquila. Mas, cerca de uma hora depois da decolagem, enfrentamos uma tempestade. Chuva forte, raios e relâmpagos, a aeronave sendo sacudida. O tempo parecia não passar.

Finalmente, sobrevoamos Barreiras. Mas o mau tempo não permitia enxergar a pista. Os pilotos tentaram a aproximação, mas precisaram arremeter. A mudança repentina de velocidade causou o fenômeno conhecido com ‘tesoura de vento’ e o avião perdeu sustentação. Naquele instante, tivemos a dimensão do risco que corríamos.

A opção de pouso seria em Brasília. A torre desaconselhou. Permanecemos algum tempo sobrevoando a região, mas não encontramos nenhuma pista iluminada.

Os pilotos então decidiram seguir para Petrolina.

Foram duas horas adicionais de voo, sob condições meteorológicas adversas. O combustível diminuía e a tensão aumentava. Finalmente, pousamos em Petrolina. “Nascemos de novo”, disse o piloto.

Talvez aquela noite tenha sido apenas um episódio de mau tempo.

Mas, para mim, deixou a pergunta inicial deste artigo.

Em 2012, o governo da Bahia reconhecia a necessidade de melhorar o aeroporto de Barreiras e anunciava a implantação de balizamento para voos noturnos.

Ou seja: o problema da infraestrutura aeroportuária regional já era conhecido.

Quatorze anos depois, a pergunta continua pertinente: quantos aeródromos da Bahia possuem hoje condições efetivas de operar como alternativas seguras, inclusive em períodos noturnos e de baixa visibilidade?

É necessário que a Bahia conheça, recupere e integre sua infraestrutura aeroviária regional. Que as pistas existentes sejam avaliadas, classificadas e dotadas das condições necessárias para sua função.

Uma pista de pouso representa segurança, acesso à saúde, socorro e emergência, negócios, turismo e integração regional.

E numa noite de tempestade representa a diferença entre encontrar uma alternativa próxima e precisar voar centenas de quilômetros em busca de uma pista onde seja possível pousar.

Naquela noite contamos com pilotos competentes e experientes. Tivemos sorte. Tivemos a providência de Deus.

Mas não se faz política pública contando com a sorte.

Minha dramática experiência mostra a necessidade de ampliar a infraestrutura aeroportuária baiana para apoiar o desenvolvimento regional.

Um exemplo é a reivindicação de um aeroporto regional no Entroncamento de Jaguaquara, para integrar o Médio Rio de Contas, o Vale do Jiquiriçá e áreas do Sudoeste, facilitando o deslocamento de passageiros, o turismo, os negócios e o escoamento da produção. Essa é a proposta defendida há anos por Zé Cocá e levada ao governo do Estado pelo deputado Hassan.

É exatamente essa visão que a Bahia precisa adotar.

A Bahia precisa de uma verdadeira rede aeroviária regional.

E já passou da hora de construir uma política estadual de aviação regional…..

(*) Josalto Alves é jornalista (UFBA) e advogado (Unyhana) josaltoalvesadv@gmail.com

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