O deputado estadual Bobô (PCdoB) reforçou a denúncia do presidente da Associação dos Criadores de Caprinos e Ovinos da Bahia, Almir Lins, contra a proposta de ACM Neto (União Brasil) de transferir a Fenagro de Salvador para Feira de Santana. Para o parlamentar, a ideia revela desconhecimento tanto da dinâmica da capital quanto da importância da aproximação entre a população urbana e o campo.
Bobô considera um despropósito retirar da capital um dos principais eventos agropecuários do Estado e alerta para o risco de esvaziamento do Parque de Exposições. Segundo ele, a Fenagro não é apenas uma feira, mas um espaço de integração entre produtores, entidades rurais e a população de Salvador. A avaliação coincide com a manifestação de Almir Lins de que a mudança poderia ameaçar a própria continuidade do equipamento.
“É uma proposta demagógica, que ignora a importância histórica do Parque de Exposições e a relação que a Fenagro construiu com Salvador. Crianças, famílias e pessoas que vivem na cidade também precisam ter contato com os animais, com os produtores e com a realidade do campo”, afirmou Bobô.
O deputado diz ainda que a justificativa de fortalecer Feira de Santana não exige retirar a Fenagro de Salvador. Para ele, as duas cidades podem sediar eventos e atividades agropecuárias, sem que uma seja colocada em oposição à outra. “Valorizar o interior não significa enfraquecer Salvador. O que não podemos aceitar é acabar com um evento tradicional da capital sem uma razão que faça sentido”, ponderou.
Bobô também levanta uma questão que considera inevitável: haveria interesses imobiliários por trás da ideia de desativar ou esvaziar o Parque de Exposições? O parlamentar lembra o destino do antigo Centro de Convenções da Bahia, adquirido por um grupo de investimentos do qual, segundo ele, ACM Neto faz parte, e cobra explicações sobre eventual repetição dessa lógica.
“Neto, você não aprendeu ainda que política não deve ser usada para negócios particulares?”, questiona Bobô. Para o deputado, antes de propor a retirada da Fenagro, o candidato deveria explicar claramente qual seria o futuro do Parque de Exposições e garantir que o patrimônio público e os interesses da população não sejam subordinados a eventuais interesses privados.