Em Salvador, vice-presidente expõe contradição do candidato do PL, que prega redução da idade penal para 14 anos enquanto articula perdão judicial para aliados políticos e familiares.
Instado por jornalistas em Salvador a comentar a proposta de campanha de Flávio Bolsonaro (PL) de reduzir a maioridade penal para 14 e 16 anos, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) demarcou posição favorável ao endurecimento penal para crimes hediondos, mas virou a artilharia contra a pauta bolsonarista de anistia e redução de penas para condenados poderosos.
Com histórico de forte atuação na pauta de segurança pública em São Paulo, Alckmin tratou o tema com pragmatismo, apontando os dois pesos e duas medidas do discurso oposicionista.
“Eu defendo a redução da idade penal para 16 anos especificamente para crimes graves: latrocínio, homicídio, crimes hediondos contra a vida. Nesses casos é perfeitamente possível reduzir. Agora, o que não pode de jeito nenhum é querer reduzir pena para gente poderosa! Dizer: ‘Olha, para os poderosos eu vou reduzir a pena, vou dar anistia, vou conceder perdão’. Isso não!”, rebateu o vice-presidente.
Alckmin frisou que o respeito à Constituição exige aplicação isonômica da lei. “A lógica basilar da República é que todos são iguais perante a lei. O presidente Lula tem dado um exemplo de espírito republicano, sem qualquer ingerência política para privilegiar amigos ou perseguir adversários. A sociedade brasileira quer justiça que valha para todos”, afirmou.