O senador Jaques Wagner (PT-BA) afirmou que o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) saiu politicamente enfraquecido do segundo turno da eleição presidencial e criticou a mudança de posicionamento do oposicionista em relação à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL).
“Pra mim, o ACM Neto, pra variar, errou fundo na política e saiu menor do que entrou na eleição, saiu de novo sem posição”, declarou Wagner, em entrevista.
Na avaliação do senador, ACM Neto evitou assumir publicamente o apoio a Flávio Bolsonaro no primeiro turno, mas passou a demonstrar alinhamento explícito com o candidato no segundo. “No primeiro turno dele, ele nunca disse que era Flávio; no segundo turno ele virou Flávio desde criancinha, até com expressões de raiva”, afirmou.
Wagner critica posicionamento de ACM Neto
O petista também questionou a postura adotada pelo ex-prefeito durante a campanha e disse que a escolha política do adversário contribuiu para desgastá-lo. A declaração reforça o embate entre os grupos políticos de Wagner e ACM Neto na Bahia, em meio à disputa nacional entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro.
Ao comentar o resultado eleitoral, Wagner parabenizou a democracia brasileira e destacou que parte dos eleitores de Lula não necessariamente era formada por petistas ou admiradores do presidente, mas por pessoas que consideraram a escolha nas urnas a alternativa mais adequada.
“Eu quero é parabenizar a democracia brasileira, as pessoas todas que acreditaram que pelo voto você pode ter um país não exatamente como você quer, mas se aproximando do que você quer”, disse.
“Seu descontentamento não pode ser maior do que sua lucidez”
Wagner afirmou ainda que eleitores de centro e de centro-direita, inclusive conservadores, podem ter optado por Lula apesar de eventuais divergências com o presidente ou com o PT.
Para ilustrar a avaliação, o senador citou uma frase atribuída à cantora Ivete Sangalo, que estampou em uma camiseta usada por ele: “O seu descontentamento não pode ser maior do que a sua lucidez”.
Na leitura do petista, o voto de parte do eleitorado foi guiado pela avaliação do cenário político e pela tentativa de escolher um caminho considerado mais próximo de suas expectativas, mesmo sem identificação integral com Lula ou com o partido.