Dirigente afirmou que executiva nacional ainda se reunirá para definir posicionamento estratégico, mas ressaltou que presença em ministérios não gerou apoio eleitoral ao PT
O vice-presidente nacional do União Brasil, ACM Neto, declarou nesta sexta-feira (6) que defenderá na executiva nacional do partido a não ocupação de ministérios no quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista à Rádio CBN Salvador, Neto explicou que a legenda reúne realidades distintas nas 27 unidades da Federação e ainda debaterá seu posicionamento estratégico, mas deixou clara sua posição contrária à negociação de espaços na Esplanada.
“A direção partidária ainda não reuniu os membros do partido para decidir em relação a esse posicionamento estratégico. Se depender de mim, e aí eu tô trazendo aqui a minha opinião, e eu darei a minha opinião como vice-presidente nacional, como membro da executiva nacional: se depender de mim, o partido não negocia cargos. Eu nunca fiz política negociando cargos. Eu acho que o partido deve estar aberto a dialogar sobre a agenda do Brasil. Não é razoável você desconsiderar o que tá acontecendo, sobretudo na economia brasileira. Mas se depender da minha opinião, isso não deve discutir cargos, isso não deve girar em torno da ocupação de cargos”, afirmou.
Questionado sobre o peso da Federação União Progressista, que somou 87 deputados federais eleitos em 2026 entre União Brasil e PP, Neto lembrou que a participação ministerial anterior não impediu o partido de apoiar Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno presidencial. “Pode ser que a maioria decida que o caminho deve ser o de ocupação de cargos, como aconteceu na vez passada. Mas veja o seguinte: a despeito do União Brasil em algum momento ter tido três posições no governo Lula, isso não significou apoio eleitoral. O partido, no primeiro turno dessa eleição, não teve candidato e, no segundo turno, apoiou formalmente a candidatura de Flávio a presidente. Então, é preciso separar as questões eleitorais das questões vinculadas ao parlamento”, analisou.
O ex-prefeito de Salvador reiterou que manterá atuação oposicionista tanto no plano federal quanto na Bahia. “A minha opinião eu deixo bem clara: eu estarei na oposição, na oposição nacional e estadual. Farei oposição ao PT, não vou deixar de trazer todas as críticas que eu achar que sejam necessárias para a construção de um país e de uma Bahia melhor. Espero e torço, e a minha opinião é essa, de que isso não tenha que girar em torno de cargos, que você possa discutir uma agenda do Brasil, que aprove projetos que eventualmente sejam importantes pro Brasil, mas que não seja em torno de cargos”, concluiu.