Para Aline Cotrim Chamadoira, prevenção à criminalidade exige investimento municipal transversal em iluminação, educação e assistência social.
A política de segurança pública não pode ser reduzida exclusivamente a operações policiais repressivas, dependendo do investimento estratégico das prefeituras na base social. A avaliação foi feita pela promotora de Justiça Aline Cotrim Chamadoira, do Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA), durante a cerimônia de entrega do selo “Compromisso por um Município Seguro 2026” à gestão da prefeita Débora Regis, no Mais Hotel, em Lauro de Freitas, na manhã desta sexta-feira (15).
Aline Cotrim, que foi uma das idealizadoras do projeto estadual enquanto coordenou o Centro de Apoio Operacional de Segurança Pública (CEOSP) em Salvador, criticou a lógica de que as administrações municipais sejam meras espectadoras da violência. “Segurança pública era sinônimo de polícia, viatura, prisão. Era algo que pertencia exclusivamente à esfera do Estado penal“, contextualizou a promotora.
Com a instituição do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), a cobrança institucional sobre os prefeitos mudou de patamar. “A violência não nasce do nada. Ela tem endereço, ela tem história, ela tem causa. Ela cresce onde falta escola de qualidade, onde o espaço público é abandonado, onde a iluminação da rua não funciona“, ressaltou a representante do MPBA.
Para a promotora, o combate efetivo à criminalidade na Bahia demanda a transversalidade dos orçamentos locais, dividindo a responsabilidade com o Executivo. “É tarefa da prefeitura que instala câmeras e melhora a iluminação pública. É tarefa da Secretaria de Educação que mantém a criança na escola e o adolescente ocupado com perspectiva de futuro“, concluiu.
