Daniela Borges destacou que a máquina não responde a processos e alertou que a falta de domínio teórico transforma novos profissionais em reféns de respostas erradas.
A presidente da OAB-BA, Daniela Borges, fez uma advertência direta a estudantes universitários e recém-formados em direito sobre os perigos da dependência cega de ferramentas geradoras de texto e peças processuais. Em entrevista ao comunicador Adelson Carvalho, a dirigente sustentou que o advento dos modelos de inteligência artificial torna o aprofundamento doutrinário e jurisprudencial ainda mais rigoroso para quem está ingressando na carreira.
Daniela compartilhou sua experiência acadêmica e profissional para ilustrar a necessidade de capacidade crítica diante dos resultados fornecidos pelas plataformas. “Todos precisam ter muito cuidado. A IA exige que a gente estude ainda mais justamente para saber distinguir e ser crítico quando a utiliza. Como eu tenho muitos anos dedicados à área tributária, eu tenho capacidade de observar, identificar insuficiências e melhorar. Se eu não tivesse essa bagagem, talvez não conseguisse”, avaliou.
A advogada alertou que o profissional sem domínio técnico tende a acatar alucinações do sistema como se fossem verdades jurídicas inquestionáveis. “Nunca foi tão importante ter domínio na sua área para que possamos usar essa tecnologia sem ser atropelados por ela, sendo nós os condutores do processo. Até porque a inteligência artificial não responde a processos disciplinares ou cíveis; quem responde perante a lei e a sociedade é o advogado”, arrematou.