Vice-presidente nacional do União Brasil cobrou sinais de ajuste fiscal para o quarto mandato presidencial e alertou para os impactos dos juros altos na economia
O vice-presidente nacional do União Brasil, ACM Neto, avaliou nesta sexta-feira (6) que o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) precisará escolher entre o cumprimento das promessas feitas na campanha de 2026 e a preservação das contas públicas. Em entrevista à Rádio CBN Salvador, Neto destacou a reação negativa do mercado financeiro após o segundo turno e afirmou que o governo ainda não apresentou uma agenda clara de responsabilidade fiscal ao Congresso Nacional.
“Lula vai ter que fazer uma escolha: se ele vai cumprir as promessas que fez durante a campanha eleitoral ou se ele vai preservar o Brasil de uma quebradeira. Porque é impossível as duas coisas acontecerem. Então, de duas uma: ou ele vai cumprir o que prometeu e quebrar o Brasil, ou ele vai superar as coisas que prometeu na campanha e garantir o equilíbrio das contas públicas, fazer o ajuste fiscal, encaminhar reformas para o Congresso Nacional e preservar a base econômica brasileira”, afirmou.
Relatando conversas recentes com deputados e senadores em Brasília, o dirigente disse que o União Brasil na Bahia permanecerá na oposição ao PT, mas garantiu apoio a projetos que favoreçam o equilíbrio econômico do país. “Eu já disse: ‘Olha, eu sou oposição, o União Brasil na Bahia vai se manter na oposição ao PT. Agora, eu não sou torcedor contra o Brasil. Eu não sou daqueles que vou defender o quanto pior, melhor. Não. Então, se medidas forem encaminhadas pro Congresso e que sejam importantes pro país, para trazer a economia do Brasil de volta pro rumo, nós vamos apoiar essas medidas e não há problema nenhum de avançar nessa agenda’”, frisou.
Neto apontou a manutenção da taxa básica de juros pelo Banco Central nesta semana e a alta do dólar como reflexos da falta de sinalização do Executivo federal. “O presidente, ele se reelegeu e não deu nenhum sinal, não fez nenhum gesto concreto para trazer um pouco de tranquilidade. Tanto que a gente viu o que aconteceu depois da eleição: a bolsa despencou, o dólar disparou, já teve reunião do Banco Central essa semana mantendo a taxa de juros, que tinha começado a cair, manteve no patamar atual. E o Brasil, enquanto tiver essa taxa de juros, não vai crescer, não vai permitir que o potencial de trabalho, de produção, ele seja aproveitado. Uma coisa é certa: a conta não fecha. É impossível Lula cumprir todas as suas promessas e não quebrar o Brasil”, finalizou.