Líder do governo afirma que eleição da Mesa Diretora exige cautela por ter voto secreto e diz que presidente Lula pode indicar novo nome ao STF ainda em 2026
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT), afirmou nesta sexta-feira (6) que a bancada do PT não apoiará o senador Rogério Marinho (PL-RN) na disputa pela presidência da Casa em 2027 e elogiou a capacidade de articulação do atual presidente, Davi Alcolumbre (União-AP). Em entrevista ao programa Giro Baiana, do BNews, o parlamentar baiano destacou que uma eventual vitória do candidato do PL representaria uma tentativa de obstruir pautas essenciais do quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Além de Alcolumbre e Marinho, Wagner lembrou que a senadora Tereza Cristina (PP-MS) também colocou o nome à disposição, em um entendimento com o bloco de oposição para unificar as candidaturas caso um dos dois se mostre mais competitivo. Para vencer a eleição da Mesa Diretora, são necessários ao menos 41 dos 81 votos do plenário.
O PT ainda não proclamou o seu apoio. Seguramente o PT não apoiará Rogério Marinho, porque Rogério Marinho foi o comandante da campanha de Flávio Bolsonaro, eu conheço muito ele, e óbvio, se eles tentaram o tempo todo obstruir, se o amigo aqui como líder do governo teve que fazer muita ginástica para poder aprovar as coisas que o presidente Lula precisava, eu não tenho dúvida que na presidência do Senado seria uma tentativa de obstrução ao governo do presidente Lula, avaliou.
Wagner ressaltou que o comando do Senado é estratégico por pautar indicações de ministros de tribunais superiores, embaixadores, diretores de agências reguladoras e autorizações de empréstimos internacionais. Ao comentar a força de Alcolumbre, destacou o trânsito do senador amapaense entre todas as legendas, enquanto na Câmara dos Deputados considerou praticamente consolidada a recondução de Hugo Motta (Republicanos-PB).
A candidatura de Davi Alcolumbre é sempre uma candidatura muito forte. Por quê? Ele é uma pessoa que se relaciona muito bem com todos os senadores, independente do partido político. Mas o voto é secreto. Então eu digo sempre que é bom botar a barba de molho, porque voto secreto é um convite sempre para que cada um exerça sua autonomia, ponderou o líder governista, defendendo a manutenção do escrutínio fechado nas votações em que os parlamentares atuam como eleitores.
Questionado sobre a próxima indicação do Executivo ao Supremo Tribunal Federal (STF) e se Lula insistirá no nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, ou optará por nomes como o do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), Wagner recomendou que o envio ocorra ainda na atual legislatura.
Ele não é obrigado a indicar agora, mas evidentemente, se indicar agora, eu diria assim que a gente tem um Senado mais favorável, porque eles não têm hoje 29, a oposição. Então, eu acho que seria uma coisa melhor ele mandar agora. Agora, se ele vai mandar de novo o nome de Messias ou outro nome, por cautela eu prefiro calar a boca para não falar bobagem, concluiu.