Senador diz que artistas têm direito a posicionamento político, mas avalia que cancelamentos em capitais do Nordeste ocorrem por receio de confusão no público
O senador Jaques Wagner (PT) defendeu nesta sexta-feira (6) a separação entre a atividade cultural e o debate político ao comentar a polêmica em torno da apresentação da dupla sertaneja Jorge & Mateus em Salvador e o cancelamento de shows de artistas que apoiaram Flávio Bolsonaro (PL) em capitais do Nordeste, como Fortaleza, Recife e São Luís. Em entrevista ao programa Giro Baiana, do BNews, o parlamentar afirmou que os artistas têm o direito democrático de se posicionar, mas ponderou que produtores e gestores locais muitas vezes cancelam eventos por receio de conflitos entre o público.
Eu acho que a gente, sinceramente, deveria separar as coisas. Eu acho que o lado cultural é o lado cultural, as pessoas adoram esse ou aquele artista, e também acho que o artista tem o direito de ter sua opinião, se posicionar. Às vezes o pessoal cancela não é por retaliação política, é por achar que pode dar alguma confusão no show, tá certo? Se a cidade foi majoritariamente favorável a um determinado candidato e o show é de alguém que bate do outro lado, o cara pode dizer: “Rapaz, isso aqui vai dar rolo, vai ter gente que vai para lá para vaiar, vai acabar tendo briga”, analisou.
Wagner comparou a situação com a de artistas identificados com o campo progressista que se apresentam em regiões onde a oposição venceu o pleito presidencial.
Agora, eu respeito, porque repare: alguém vai barrar um show de Gilberto Gil no Sul do país, que em muitas capitais quem ganhou foi Flávio, porque ele deu declaração, cantou a favor da candidatura de Lula? Eu acho que a gente tem que separar. O problema é que, infelizmente, aí eu sou obrigado a apontar o dedo: a turma de Bolsonaro plantou no Brasil algo que a gente não conhecia, o ódio, contra o Nordeste, contra o adversário, afirmou o senador, acrescentando que ataques recentes de parlamentares e comentaristas de outros estados contra os eleitores nordestinos acabam gerando reação popular que respinga no setor de eventos.