Marielson Carvalho celebra sucesso da abertura e detalha segundo dia da festa literária em Cachoeira, que reúne debates sobre inteligência artificial, afrofuturismo e gastronomia
A relação entre o ambiente digital, as novas tecnologias e a produção literária dá o tom dos debates da Tenda Paraguassu na edição deste ano da Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica). Diante dos avanços e dilemas trazidos pelas ferramentas de inteligência artificial na sociedade contemporânea, a curadoria do espaço central do festival estruturou sua programação em torno do impacto dessas inovações no futuro da escrita e da leitura.
O curador da Tenda Paraguassu, Marielson Carvalho, destacou o ponto de partida escolhido para nortear os painéis e ressaltou como o tema busca compreender as transformações na cadeia do livro:
“O tema desse ano foi, na verdade: como ser criativo com tanta IA por aí? Então a gente decidiu fazer uma abordagem com tecnologia e literatura, para discutir como a tecnologia hoje interfere, ajuda ou até reposiciona a prática literária — tanto na leitura, quanto na impressão de livros, quanto na curadoria de feiras literárias. Ou seja, a gente pensou justamente esse espaço do ambiente digital em relação à literatura”, explicou Marielson.
Ao fazer um balanço do primeiro dia do evento, o curador comemorou a receptividade do público nas atividades de abertura, que aliaram reflexão teórica e manifestações artísticas no Recôncavo Baiano:
“Ontem foi uma maravilha. Nós tivemos uma mesa de abertura com dois especialistas sobre inteligência artificial falando de literatura. À noite, tivemos um sarau com Suélio Nunes muito bom, com autores e artistas da palavra negros, e foi encantador. Foi um fechamento de dia maravilhoso”, afirmou.
Para o segundo dia de atividades, a expectativa é manter a Tenda Paraguassu movimentada com uma programação diversa que integra gastronomia, afrofuturismo e diversidade sexual e de gênero:
“Hoje nós temos três mesas. De manhã, a mesa será sobre crônica e contos, lidando também com a gastronomia, com a chef de cozinha local Noeli Silva preparando um prato na hora enquanto conversamos com Adriana Oliveira e Luiz Mafra. À tarde, teremos uma mesa sobre afrofuturismo com Adiel Santos e César Sobrinho. E à noite vamos ter o Sarau Lacração, com artistas da palavra LGBTQIA+. A Flica está sendo muito boa, aqui na Tenda Paraguassu e em todos os espaços”, concluiu o curador.