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PL decide nesta terça se apoiará reeleição de Hugo Motta na Câmara

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Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
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O Partido Liberal (PL) reúne seus deputados nesta terça-feira (3), às 18h, para definir se apoiará a reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) à presidência da Câmara dos Deputados. Maior bancada da Casa a partir de 2027, com 121 parlamentares, a legenda teme perder espaço na distribuição de cargos e no comando de comissões estratégicas caso fique fora do bloco liderado pelo atual presidente.

A discussão expõe divergências internas sobre a relação com Motta. O grupo ligado ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, defende um acordo com o parlamentar do Republicanos. Para essa ala, o tamanho da bancada não garante influência política se o partido ficar isolado nas negociações por espaços de poder.

Outra parte da legenda, identificada com a ala mais radical, resiste ao apoio. O grupo considera a proximidade de Motta com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) um obstáculo para a composição. Durante o processo eleitoral, o presidente da Câmara manteve apoio ao petista.

O deputado Zé Trovão (PL-SC) também manifestou resistência ao acordo. Na segunda-feira (2), afirmou que poderá apresentar um pedido de registro de candidatura avulsa caso o partido decida não lançar um nome próprio para disputar a presidência da Câmara. A iniciativa, até o momento, é individual e não representa a posição oficial da direção nacional.

PL pode perder prioridade na escolha de comissões

O principal argumento em favor de um acordo com Motta está nas regras de distribuição das comissões permanentes. Pelo regimento da Câmara, a ordem de escolha dos colegiados considera a proporcionalidade dos blocos parlamentares formados no início da legislatura. Na prática, os grupos maiores têm prioridade para indicar os comandos das comissões.

Mesmo com a maior bancada individual, o PL poderá cair da primeira ou segunda posição na ordem de escolha para a 14ª caso permaneça fora do bloco de Motta. A legenda ainda teria direito de presidir sete colegiados, mas ficaria com menos opções entre as comissões consideradas estratégicas.

Entre os espaços em disputa está a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a mais importante da Câmara. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) tem interesse em comandar o colegiado, responsável por analisar a constitucionalidade e a admissibilidade de propostas legislativas.

A negociação, no entanto, não depende exclusivamente do PL. Motta já reuniu o apoio de 15 partidos e conta com maioria para buscar a reeleição em fevereiro de 2027. Entre as legendas aliadas está o PT, que formalizou apoio ao atual presidente da Câmara e sinalizou resistência à entrada dos liberais no bloco.

Motta tem afirmado que pretende ouvir as reivindicações da oposição, mas que os petistas terão prioridade nas negociações.

PL também articula candidatura própria no Senado

A estratégia da legenda envolve ainda a disputa pelo comando do Senado. A partir de 2027, o PL terá 28 senadores e também será a maior bancada individual da Casa. O partido pretende defender uma candidatura própria para enfrentar o atual presidente, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que busca a reeleição.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou que indicará o líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), para disputar o cargo. Alcolumbre afirma contar com pelo menos 48 votos, acima dos 41 necessários para conquistar a presidência. Parlamentares da oposição, porém, contestam essa estimativa.

O resultado da eleição no Senado também poderá influenciar o andamento de propostas defendidas pela oposição para limitar a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF).

Entre as pautas estão mudanças nas regras para o impeachment de ministros da Corte e a retirada de competências do tribunal. O avanço dessas iniciativas depende principalmente da disposição do presidente do Senado de pautar os projetos e articular sua tramitação e votação.

Diferentemente de medidas que dependem diretamente do Executivo, essas propostas têm seu andamento condicionado às decisões da cúpula do Congresso e à formação de maioria entre os parlamentares.

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