Cientista político detalhou na Rádio Metrópole como vantagem inicial de cinco pontos do senador derreteu nas pesquisas do Ipespe até o desfecho desfavorável nos debates.
Em entrevista concedida nesta sexta-feira (30) ao apresentador Mário Kertész, no programa da Rádio Metrópole, em Salvador, o sociólogo e presidente do Conselho Científico do Ipespe, Antonio Lavareda, classificou o pleito presidencial de 2026 como a disputa mais imprevisível da história política do país. Segundo o especialista, a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva por uma diferença próxima a 4,5 milhões de votos desconstruiu o paradigma de que o vencedor do primeiro turno sempre assegurava a vitória na etapa decisiva.
Lavareda relembrou que, na abertura do segundo turno, Flávio Bolsonaro (PL) ostentava a condição de favorito com uma dianteira de 5,4 pontos percentuais no levantamento do Ipespe. No entanto, o cenário começou a sofrer alterações já no final da primeira semana, a partir da ativação das militâncias nas ruas e nas redes digitais. “Na segunda semana, a diferença cai de cinco pra dois pontos; na nossa, 2,4. Na terceira semana, as nossas medições do Ipespe apresentavam uma redução já pra um ponto de diferença”, apontou, citando que a melhora na aprovação do governo coincidiu com o aumento da rejeição a Flávio Bolsonaro.
Para o cientista político, o confronto televisivo na Band representou o catalisador da virada eleitoral ao alcançar audiência estimada em mais de 100 milhões de telespectadores. “O debate foi, sem sombra de dúvida, o fato mais importante pra fechar o placar final e propiciar o desempate. Nós tivemos dois picos emocionais no debate: o insulto dos ‘nove dedos’ que Flávio Bolsonaro desferiu ao presidente Lula e a menção confusa e chocante à menina Ana Clara”, explicou, concluindo que “o debate foi decisivo e o debate foi adverso pra Flávio Bolsonaro”.