Entidade secular no Pelourinho, Cais do Valongo e Quilombo dos Palmares são declarados patrimônios da rota da escravidão; secretária exalta ancestralidade e resistência.
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) chancelou a inclusão de três locais históricos brasileiros na lista internacional de sítios de memória associados à escravidão e ao tráfico transatlântico de pessoas escravizadas. A deliberação foi celebrada nesta sexta-feira (30), em Salvador, pela secretária da Sepromi, Ângela Guimarães, com ênfase especial na titulação concedida à Sociedade Protetora dos Desvalidos (SPD), sediada no Cruzeiro de São Francisco, no Centro Histórico da capital baiana.
Além da instituição soteropolitana, a Unesco conferiu o reconhecimento ao Cais do Valongo, no Rio de Janeiro, e ao Parque Memorial Quilombo dos Palmares, na Serra da Barriga, em Alagoas. Para a gestora estadual, a medida internacional resgata a importância da articulação secular da comunidade negra na Bahia. “É um reencontro com a nossa história. A decisão reconhece a Sociedade Protetora dos Desvalidos como lugar de memória indispensável para a nossa resistência heróica. Fundada há 340 anos por homens negros ainda escravizados, a entidade nasceu da contribuição solidária em caixinhas para garantir enterros dignos e alforrias, rejeitando o descarte covarde de corpos após uma vida inteira de trabalho forçado”, explicou.
Ângela ressaltou que a SPD mantém vitalidade no cotidiano cultural do Pelourinho, prestando assistência a idosos e acolhendo estudantes africanos intercambistas. “Para a população negra, a morte não é um fim, mas uma passagem ancestral entre o Aiê e o Orum. Quem pisou nessa terra deixa seu legado vivo. A SPD não é apenas uma recordação do passado, mas um espaço que continua a produzir literatura, acolhimento e dignidade para as novas gerações”, concluiu.