Secretário da Semob diz que informação divulgada pela comunicação municipal não correspondia à realidade e afirma ter pedido retificação; decreto previa adequação da frequência às normas do TSE
O secretário municipal de Mobilidade Urbana de Salvador, Pablo Souza, reconheceu que uma nota divulgada pela Prefeitura sobre a operação de ônibus durante o segundo turno das eleições continha informações equivocadas. Em entrevista ao Giro Baiano, da BNews TV, nesta quinta-feira (29), o titular da Semob afirmou que o texto foi elaborado pela Secretaria Municipal de Comunicação (Secom) e que pediu a retificação do conteúdo após ser questionado sobre a publicação.
Segundo Pablo, a nota foi produzida pela equipe de comunicação da Prefeitura e posteriormente reproduzida nos canais oficiais, incluindo o site da própria Semob. O secretário afirmou que não tinha conhecimento prévio do texto e que reconheceu o erro ao ser confrontado com a informação.
“Eu reconheci a ele que essa notícia foi feita pela equipe da Secretaria de Comunicação e que eu pediria que fosse retificada porque não corresponderia à realidade. Então isso não passou pela Semob, foi soltada antes pela Secom”, declarou.
O secretário ressaltou que não pretendia se esquivar da responsabilidade pela informação divulgada nos canais oficiais da administração municipal. Ele afirmou ter solicitado pessoalmente a correção da publicação.
“Eu não tenho nenhum constrangimento em admitir que essa nota foi, sim, feita. Ele me mostrou na hora a nota, eu não tinha conhecimento da nota e não estou aqui fazendo jogo de palavra. Eu estou sendo muito transparente e eu pessoalmente pedi que retificasse a notícia no site”, disse.
Pablo também reconheceu publicamente que o conteúdo estava equivocado. “Essa notícia saiu, essa notícia foi equivocada. Nunca na história das eleições na cidade de Salvador se adotou 100% de frota”, afirmou.
Decreto previa adequação da frequência, diz secretário
Ao explicar o planejamento da operação eleitoral, Pablo afirmou que a Prefeitura publicou um decreto na quinta-feira (22), após a elaboração do documento na véspera. Segundo ele, o texto estabeleceu o cumprimento das normas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a compatibilização da frequência do transporte público durante a votação.
“O decreto faz uma determinação de cumprimento à norma do TSE, que é a compatibilização da frequência, que é isso que determina”, explicou.
O secretário sustentou que o decreto publicado no Diário Oficial do Município é o documento que deve orientar a interpretação da operação adotada pela Prefeitura. Segundo ele, a regulamentação eleitoral não determina a circulação de 100% da frota disponível nem exige que a oferta de ônibus em um domingo de votação seja idêntica à dos dias úteis.
“O que preserva o fato é o decreto que nós fizemos no Diário Oficial do Município. O decreto é muito claro em cumprimento ao TSE. O TSE não determina nem nunca determinou frotas de dias úteis”, declarou.
A discussão ocorre após questionamentos sobre a quantidade de ônibus em circulação em Salvador no segundo turno, em 25 de outubro. O secretário já havia afirmado que aproximadamente 850 veículos foram utilizados tanto no primeiro quanto no segundo turno e que a escala operacional da segunda votação reproduziu a programação adotada na primeira.
Pablo cita outras cidades para defender estratégia
Durante a entrevista, o titular da Semob argumentou que a redução da oferta de transporte em dias de eleição não foi uma particularidade de Salvador. Ele citou casos de outras cidades brasileiras que, segundo afirmou, também enfrentaram questionamentos sobre a operação dos coletivos.
Pablo mencionou o Rio de Janeiro, administrado por Eduardo Paes durante o período eleitoral, e João Pessoa, governada por Cícero Lucena, como exemplos para contestar a interpretação de que a programação do transporte teria sido definida para prejudicar candidatos.
“Se você olhar, prefeito Eduardo Paes, agora está o prefeito Cavalieri, eu tive a oportunidade de conhecer Eduardo Paes, está lá entre as cidades que tiveram problema com o transporte coletivo na eleição e vai dizer que ele fez isso para prejudicar Lula?”, questionou.
O secretário também citou a capital paraibana ao questionar se a redução do serviço em outras cidades poderia ser interpretada como uma ação política contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Para sustentar o argumento, Pablo sugeriu a comparação entre os horários registrados no aplicativo Cittamobi durante o domingo eleitoral e os de um dia comum. Segundo ele, a análise dos dados mostraria redução superior a 40% na demanda em diversas linhas.
“É só pegar no aplicativo Cittamobi, botar lá dia 25, dar o print dos horários de qualquer uma das quatro empresas que atende, dar um print do horário de hoje, juntar os dois, botar no ChatGPT da vida e falar assim: ‘Compare, teve queda de mais de 40% de demanda em várias linhas’”, afirmou.
Semob reproduziu nota elaborada pela Secom
Ao longo da entrevista, Pablo foi questionado sobre e voltou a esclarecer a divergência entre as informações divulgadas pela comunicação municipal e a justificativa técnica apresentada pela Semob. Inicialmente, ele atribuiu a elaboração da nota à Secom, mas, após receber uma informação de que o conteúdo também havia sido publicado no site da pasta de Mobilidade, Pablo reconheceu.
“Essa foi uma nota feita pela Secom, que foi passada pela comunicação e repercutiu nos sites oficiais da Prefeitura, naturalmente o site da Semob, que é a pasta que cuida, fez essa repercussão da nota elaborada pela Secom, de forma errônea”, afirmou.
O titular da pasta insistiu que não pretendia minimizar a divulgação do conteúdo nem se esquivar da responsabilidade institucional pela publicação.
“Volto a dizer, não estou aqui fazendo jogo de palavras, não estou aqui tentando me esquivar de uma informação que foi publicada nesse site”, declarou.
Pablo concluiu que a operação especial de transporte em dias eleitorais segue uma lógica diferente daquela aplicada em dias úteis, tanto no sistema urbano quanto no metropolitano. Ele também afirmou que nenhuma capital ou cidade de porte semelhante a Salvador adotou 100% da frota em um domingo de eleições.
“Volto a dizer, nenhuma capital, nenhuma cidade de porte compatível a Salvador ou até mesmo os ônibus da região metropolitana adotaram 100% de frota no dia de domingo das eleições”, concluiu.