Secretário da Semob diz que adesivaços interromperam a saída dos coletivos nas garagens e afirma que negociação com apoiadores permitiu normalizar a operação
O secretário municipal de Mobilidade Urbana de Salvador, Pablo Souza, voltou a acusar apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de promoverem uma ação coordenada para atrasar a saída de ônibus durante o segundo turno das eleições, em 25 de outubro.
Em entrevista ao Giro Baiano, da BNews TV, nesta quinta-feira (29), o titular da Semob afirmou que os adesivaços realizados nas garagens interromperam a circulação dos coletivos e provocaram impactos na operação do transporte público da capital baiana.
Segundo Pablo, a mobilização começou por volta das 4h, com a colocação de adesivos nos ônibus ainda nas garagens, e ganhou outra dimensão quando os veículos começaram a deixar os locais.
Ele afirmou que pessoas que apoiavam Lula, algumas delas ligadas ao movimento sindical, paravam os coletivos para colocar adesivos nas partes frontal, lateral, traseira e interna dos veículos.
“Não foi a colagem simples, exclusiva de um adesivo que o ônibus não pode circular”, declarou o secretário, ao argumentar que o problema estava nas interrupções durante a saída dos veículos, e não apenas na presença de material de campanha nos coletivos.
Pablo relatou que tomou conhecimento da situação por volta das 9h30 e que o BNews foi o primeiro veículo de imprensa a entrevistá-lo sobre o episódio, enquanto ele ainda estava na França, em viagem oficial.
“Eu soube 9h30. E, quando eu falei aqui com o BNews, eu fui muito claro, eu tomei conhecimento dessa ação de adesivaço, que eu comparei a um pedágio do adesivaço”, afirmou.
Negociação nas garagens
De acordo com o secretário, após tomar conhecimento dos episódios, ele orientou a equipe da Semob a ir às garagens para negociar com os participantes dos adesivaços. Segundo Pablo, o entendimento permitiu que os ônibus continuassem saindo mesmo quando estavam adesivados, desde que não houvesse novas interrupções na operação.
“Pedi à minha equipe que fosse às garagens, eles negociaram com os apoiadores que estavam fazendo o adesivaço e o que ficou combinado? Nenhum ônibus estava deixando de sair com adesivo, mas eles também pararam de interromper a saída dos ônibus, porque isso estava trazendo, sim, e trouxe um grande impacto operacional”, relatou.
O titular da Semob também reconheceu a mobilização de pessoas que ofereceram caronas a eleitores durante o domingo de votação. Segundo ele, a iniciativa contribuiu para o deslocamento da população em meio aos problemas registrados no transporte coletivo.
“A gente teve episódio no domingo de pessoas fazendo carona solidária e isso foi, sim, importante. Eu quero destacar aqui que essa mobilização das pessoas foi importante”, disse.
Pablo afirmou ainda que a secretaria empregou esforços para lidar com a situação e destacou a importância da transparência na prestação de informações à população.
Secretário aponta ônibus metropolitanos nas garagens
Durante a entrevista, Pablo também mencionou imagens de ônibus do sistema metropolitano estacionados nas garagens no domingo eleitoral. O serviço atende municípios da Região Metropolitana de Salvador e é de responsabilidade do Governo do Estado da Bahia.
Para o secretário, a presença de veículos parados em garagens não ocorreu exclusivamente no sistema municipal e estaria relacionada à estratégia diferenciada de operação adotada em dias de eleição.
“Investigação para os metropolitanos, eu pude ver, como você pode ver e a sua equipe, os ouvintes que estão em casa, uma grande frota de ônibus metropolitanos também parados na garagem, porque essa estratégia no segundo turno, tá?”, afirmou.
Na avaliação de Pablo, os episódios registrados em Salvador não podem ser dissociados do ambiente de polarização política que marcou a disputa presidencial. Ele voltou a sustentar que os adesivaços e as interrupções na saída dos ônibus indicariam uma ação articulada.
“Eu não posso deixar de acreditar, Mateus, que se trata de uma ação política coordenada”, concluiu.
A operação dos ônibus no segundo turno tem sido alvo de questionamentos após imagens de coletivos estacionados em garagens levantarem dúvidas sobre a oferta do serviço aos eleitores.
Pablo reforçou que a programação seguiu o modelo especial adotado no primeiro turno e sustenta que os atrasos registrados no segundo decorreram, em parte, das interrupções provocadas pelos adesivaços.