Secretário afirma que adesivaços nas garagens comprometeram a saída dos coletivos no segundo turno e diz que denunciou a prática à Justiça Eleitoral
O secretário municipal de Mobilidade Urbana de Salvador, Pablo Souza, acusou apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), alguns deles ligados ao Sindicato dos Rodoviários, de promoverem uma ação coordenada para interromper a saída de ônibus na capital baiana durante o segundo turno das eleições. Em entrevista ao BNews, no programa Giro Baiano, o titular da Semob afirmou que a prática ocorreu em diferentes garagens do sistema e provocou impactos na operação do transporte público.
Segundo Pablo Souza, a mobilização aconteceu em dois momentos no domingo da votação. O primeiro foi por volta das 4h, quando rodoviários chegaram às garagens com crachás e realizaram adesivaços nos coletivos. Na avaliação do secretário, os atrasos registrados nesse período foram pontuais e não provocaram impactos significativos.
“Está havendo uma ação sistemática de apoiadores do presidente Lula, alguns deles ligados ao sindicato dos rodoviários”, declarou o secretário, ao recordar uma entrevista concedida ainda durante uma viagem oficial ao exterior.
De acordo com ele, a situação se agravou por volta das 9h, quando os adesivaços passaram a interferir diretamente na saída dos veículos das garagens. Pablo citou como exemplo a garagem G5, da empresa Plataforma, localizada no Caminho de Areia, onde, segundo seu relato, os participantes passaram a condicionar a liberação dos ônibus à colocação de adesivos.
“Começaram a promover o que eu chamei de pedágio do adesivaço”, afirmou.
O secretário explicou que a operação de saída dos coletivos exige agilidade, já que os veículos deixam as garagens em sequência para atender aos terminais e às linhas programadas. Com as interrupções para a colagem de adesivos e a gravação de vídeos, o fluxo teria sido prejudicado.
“Nove horas, parava o ônibus, colava adesivo no lado, na frente, no fundo, o motorista falava palavras de apoio ao candidato dele, e isso foi tendo efeito cascata”, relatou.
Pablo Souza ressaltou que o problema não ficou restrito à garagem do Caminho de Areia. Segundo ele, a prática foi registrada em todas as garagens do sistema de transporte de Salvador, embora nem todos os ônibus tenham sido adesivados.
“Não foram todos os ônibus que foram adesivados. Ocorreu uma ação sistemática de adesivaço em todas as garagens de Salvador”, disse. Ele acrescentou que equipes da prefeitura retiraram os adesivos dos veículos identificados sem a necessidade de que todos os coletivos passassem pela mesma situação.
Secretário diz que denunciou prática à Justiça Eleitoral
Pablo Souza afirmou que já vinha denunciando a colocação de adesivos nos ônibus desde 16 de setembro, inclusive durante a entrega de novos veículos do sistema municipal. Segundo ele, as reclamações foram encaminhadas ao Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), ao gabinete do desembargador Maurício Kertzman e também registradas pessoalmente por meio do aplicativo Pardal, ferramenta da Justiça Eleitoral destinada ao recebimento de denúncias.
“Eu fiz isso a Thiago Cintra, que trabalha com ele no seu gabinete, e eu pessoalmente, na minha conta pessoal, denunciei no Pardal, que é a ferramenta institucional para fazer esse tipo de denúncia”, declarou.
O secretário também mencionou a atuação da Polícia Federal nas garagens e afirmou que existe um relatório do órgão sobre as verificações realizadas. Ele citou ainda imagens dos adesivaços que, segundo disse, foram divulgadas pela imprensa.
Na entrevista, Pablo voltou a diferenciar os episódios registrados no início da manhã daqueles ocorridos a partir das 9h. Para ele, enquanto a primeira movimentação provocou atrasos pontuais, a segunda teve caráter coordenado e comprometeu de forma mais expressiva a saída dos ônibus.
Pablo explica estratégia de operação no domingo eleitoral
Questionado sobre a quantidade de ônibus que circulou durante o segundo turno, o secretário afirmou que a programação da prefeitura seguiu o modelo de operação previsto para dias de eleição, com frequência proporcional à demanda e às determinações da Justiça Eleitoral.
Pablo também chamou atenção para imagens aéreas que mostraram veículos estacionados em garagens no domingo da votação. Segundo ele, registros semelhantes foram observados no sistema metropolitano, que atende a 12 municípios da Região Metropolitana de Salvador e está sob responsabilidade do Governo do Estado.
Ao explicar a estratégia adotada pela gestão municipal, o secretário destacou que a regulamentação eleitoral não exige a circulação de 100% da frota disponível, mas estabelece a necessidade de frequência adequada do serviço.
“A gente fez o que a gente chama de uma ação plena de eleição, é você colocar uma frota quando determina a própria normativa do TSE com a frequência proporcional. A palavra frequência, a palavra não é frota”, afirmou.
“O TSE, em nenhuma normativa, determina que você coloque 100% de frota nas ruas. Ele fala que você deve determinar frequência adequada aos dias úteis”, completou.