O senador Jaques Wagner (PT-BA) criticou declarações e atitudes de apoiadores do campo político de Flávio Bolsonaro (PL) durante a campanha presidencial e afirmou que o comportamento de parte dos adversários contribuiu para mobilizar eleitores em favor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista, o petista relatou episódios de hostilidade contra apoiadores de Lula e classificou a postura dos adversários como agressiva.
“Tudo deles é destrutivo. Não era uma coisa construtiva, ‘vamos fazer um Brasil assim, assim, assado’. E a nossa rua ela é, vamos dizer, instigada a responder, mas você não vê no grupo de cá essa linha do ódio, essa linha do preconceito, da plantação da raiva”, afirmou Wagner.
O senador disse ter acompanhado manifestações de adversários antes da divulgação dos resultados eleitorais e citou frases que, segundo ele, foram utilizadas por integrantes desse grupo. Entre as expressões mencionadas, estavam “vamos enxotar, vamos nos livrar, vamos matar”.
Na avaliação de Wagner, o tom das declarações contrastou com a mobilização promovida por apoiadores de Lula, que, segundo ele, teria sido marcada pela defesa de propostas e pela participação popular.
Senador relata episódios de hostilidade contra petistas
Durante a entrevista, Wagner contou que sua filha foi alvo de uma abordagem hostil ao comparecer ao local de votação em Salvador. Segundo o senador, o episódio ocorreu no mesmo colégio eleitoral frequentado pelo ex-prefeito ACM Neto (União Brasil).
“Minha filha, por exemplo, ontem foi votar aqui, e onde ela vota é o mesmo local de votação onde vota ACM Neto. Então tinha muita gente do lado de lá esperando ele, sei lá, e ela passou com o 13 na blusa e um senhor, não sei a idade, ela me contou, ‘sai daqui, petista’, coisa desse tipo”, relatou.
O parlamentar também descreveu uma situação vivida em Ilhéus, no sul da Bahia, onde esteve para participar de uma caminhada no sábado (24), véspera da votação. De acordo com ele, um homem fez uma provocação ao vê-lo usando uma camisa associada à campanha petista.
“Eu estava em Ilhéus tomando café no hotel que eu fui para fazer a última caminhada no sábado tinha um cidadão que eu não sei de onde era, que não falei nada, e ele… ele me viu com a camisa e disse, ‘não, amanhã’, que era sábado isso, ‘vocês vão é tomar uma enrabada’. E saiu”, contou.
Ao comentar os relatos, o senador afirmou que esse tipo de comportamento teria provocado uma reação entre eleitores.
Segundo Wagner, a postura agressiva pode ter estimulado a participação de pessoas que decidiram comparecer às urnas para demonstrar sua posição política.
Wagner destaca queda da abstenção e participação em Salvador
O senador também relacionou o resultado eleitoral ao aumento do comparecimento dos eleitores. Segundo ele, o país registrou cerca de 3 milhões de votantes a mais em comparação com o primeiro turno.
“É uma coisa, eu acho que isso despertou as pessoas, e por isso que a gente teve uma queda, foram 3 milhões a mais no Brasil inteiro de pessoas que votaram a mais do que no anterior, no primeiro. Aqui também teve queda da abstenção”, afirmou.
Wagner ainda destacou o desempenho de Salvador em relação à participação eleitoral e agradeceu aos eleitores da capital baiana.
“O pessoal de Salvador nos deu um presentaço, que foi o maior índice de todas as capitais do Brasil, foi Salvador, 73%”, declarou.