Coordenador da campanha de Lula deslocou-se à garagem da concessionária Integra, na Avenida Suburbana, acusando a gestão municipal e empresários de desobedecerem a ordens judiciais; autarca nega boicote e sustenta que atrasos decorreram de piquetes sindicais
A poucas horas do encerramento das urnas na segunda volta das eleições presidenciais, o senador eleito e coordenador da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Rui Costa, realizou uma transmissão em direto a partir do Subúrbio Ferroviário de Salvador. Posicionado no portão e no pátio interno da garagem da empresa Integra (G1 – Plataforma), na Avenida Afrânio Peixoto (Suburbana), o dirigente petista exibiu dezenas de autocarros amarelos estacionados por volta das 15h31 deste domingo (25), denunciando uma alegada sabotagem contra o transporte de eleitores da periferia.

Durante a gravação, Rui Costa sustentou que a retenção dos veículos descumpre as decisões cautelares expedidas pelo Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) e pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que haviam ordenado a operação da frota em patamares normais com tarifa zero:
“São 15 horas e 31 minutos, e vocês podem ver aqui a garagem cheia de ônibus, tanto de um lado quanto do outro, o que mostra a atitude criminosa de impedir o povo pobre de Salvador, dos bairros populares, de comparecer às urnas. Nós pedimos a prisão dos empresários de ônibus que retiveram os ônibus e pedimos que a Justiça Eleitoral decrete a prisão do prefeito de Salvador por crime eleitoral. Eles desrespeitam a ordem judicial; juiz eleitoral e TSE para os empresários de Salvador não significam absolutamente nada”, afirmou o ex-governador.
O petista percorreu a área externa da empresa, acompanhado por viaturas da Polícia Civil que faziam a fiscalização do local, e declarou que muitos eleitores desistiram de votar durante a manhã devido à demora nas paragens.
Contraponto da Prefeitura de Salvador A acusação de desobediência e esvaziamento deliberado da frota foi rebatida pelo presidente da Câmara de Salvador, Bruno Reis (União Brasil). Em declarações prestadas durante o dia, o autarca assegurou que o município instituiu a gratuitade nos transportes de forma espontânea e garantiu que o sistema operou para atender a população.
Bruno Reis explicou que os únicos atrasos registados na saída das frotas envolveram cerca de 75 autocarros retidos momentaneamente no início da manhã devido a manifestações sindicais ligadas à oposição que colaram material partidário de propaganda nas viaturas concessionadas, situação que exigiu a limpeza dos veículos antes da respetiva liberação para as ruas.