Rui Costa defende liberdade de Lula e Jerônimo para escolher ministros e secretários
Senador eleito critica pressão pública por cargos e diz que aliados não devem constranger presidente e governador na montagem das equipes
O senador eleito Rui Costa (PT) defendeu que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), caso seja eleito para um novo mandato, e o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), tenham liberdade para escolher seus ministros e secretários sem pressão pública de aliados interessados em ocupar cargos. Em entrevista ao programa Boa Tarde, Bahia, da Band, nesta quinta-feira (22), Rui afirmou que a composição dos governos deve considerar a representação política, mas sem se tornar uma obrigação imposta aos eleitos.
Ex-governador da Bahia e ex-ministro da Casa Civil, Rui disse que a experiência na administração pública lhe deu a convicção de que aliados não devem antecipar disputas por espaços na gestão nem conceder entrevistas insinuando que esperam assumir determinadas funções.
“Você não pode, em hipótese nenhuma, os seus aliados, os seus amigos ficarem dando entrevista, se insinuando para ocupar cargo, seja de secretário, seja de ministro”, afirmou.
Para o petista, esse tipo de comportamento cria constrangimento para quem foi eleito e ainda precisa definir a composição da equipe de governo.
Rui conta história para criticar pressão por cargos
Durante a entrevista, o senador eleito contou uma história atribuída a um político mineiro que chegou à Presidência da República. Segundo o relato, um aliado teria reclamado da insistência de conhecidos que queriam saber se ele seria nomeado ministro.
Na versão narrada por Rui, o presidente eleito teria sugerido, ironicamente, que o amigo dissesse à imprensa que havia recebido um convite para o ministério, mas o recusara. A declaração serviria para encerrar as cobranças públicas sobre uma possível nomeação.
Ao recorrer ao episódio, Rui reforçou a crítica à exposição de expectativas por cargos antes de uma decisão oficial do chefe do Executivo.
“Quem faz isso não é amigo, é amigo da onça, não é amigo”, declarou.
Representação política não deve limitar escolhas
Rui reconheceu que a composição dos governos costuma levar em conta a representação dos partidos e das forças políticas que integram a base aliada. Ressalvou, porém, que esse critério não pode retirar a autonomia de quem foi eleito para comandar o Executivo.
“É evidente que, ao montar a equipe, ele vai levar em consideração a representação política regional. Isso todo mundo faz. Mas é evidente que isso não é camisa de força para ninguém”, afirmou.
Ao mencionar Jerônimo Rodrigues, o senador eleito destacou que o governador também deve ter autonomia para definir os nomes que ocuparão as secretarias estaduais.
Rui diz que mandato no Senado será sua prioridade
Ao final da entrevista, Rui Costa afirmou que sua responsabilidade, após ser eleito senador, será cumprir o mandato concedido pela população.
“O que eu tenho delegação da população é ser senador da República e vou buscar honrar essa delegação”, disse.