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Rui sobre relação de Flávio com milícias: “O crime organizado vai indicar ministros para o STF, STJ, juízes e desembargadores do país inteiro”

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Na Band, senador eleito cita caso Adriano da Nóbrega, menciona familiares do miliciano no gabinete do senador e afirma que eleitor precisa conhecer denúncias antes de votar

O senador eleito Rui Costa (PT) fez duras acusações contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) ao relacionar o grupo político do adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) às milícias do Rio de Janeiro. Em entrevista ao programa Boa Tarde, Bahia, da Band, Rui citou o caso do ex-policial Adriano da Nóbrega, morto em uma operação policial na Bahia em 2020, e afirmou que a mãe e a irmã dele trabalharam no gabinete de Flávio quando o parlamentar era deputado estadual no Rio.

Ao abordar a disputa presidencial, Rui disse que os eleitores baianos precisam conhecer o histórico das relações políticas mencionadas antes de decidir o voto. O petista também criticou a atuação das milícias em comunidades fluminenses e afirmou que esses grupos exercem controle econômico e territorial por meio da violência.

“O povo da Bahia tem o direito de saber disso. Do mesmo jeito que tem o direito de votar em quem quiser, tem o direito de ter conhecimento dessas informações para se decidir votar consciente a quem está entregando a cadeira de presidente da República”, declarou.

Rui explica atuação das milícias e cita domínio sobre serviços

Durante a entrevista, Rui diferenciou a atuação de grupos ligados ao tráfico de drogas daquela atribuída às milícias, que, segundo ele, também exploram economicamente moradores de comunidades.

“Policiais desonestos, que se viraram bandidos, passaram a concorrer, vamos chamar assim, com os traficantes. E eles identificaram que era um excelente negócio para fazer dinheiro”, afirmou.

O senador eleito citou a cobrança por serviços como internet e gás de cozinha como exemplos do controle exercido por milicianos em determinadas áreas do Rio de Janeiro. Segundo ele, moradores ficam sujeitos a taxas e à imposição de fornecedores sob ameaça armada.

Rui também mencionou a disputa territorial entre milícias e o Comando Vermelho, grupo criminoso com atuação no tráfico de drogas, e disse que a expansão desses grupos representa uma ameaça à população.

Caso Adriano da Nóbrega volta ao centro da disputa

Um dos pontos centrais da declaração foi a referência a Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Bope do Rio de Janeiro apontado pelas autoridades como integrante de uma organização criminosa e investigado por suspeitas de envolvimento com milícias. Ele foi morto em fevereiro de 2020, durante uma operação policial em Esplanada, no interior da Bahia.

Rui afirmou que a mãe e a irmã de Adriano trabalharam no gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O vínculo funcional das duas com o gabinete já foi objeto de reportagens e questionamentos públicos, mas, por si só, não comprova participação de Flávio em atividades criminosas.

O petista também relatou uma conversa entre o senador Jaques Wagner (PT-BA) e Flávio após a morte de Adriano. Segundo Rui, Wagner contou que o parlamentar do PL teria reagido ao episódio dizendo: “Vocês mataram o meu amigo”.

Ainda de acordo com o relato de Rui, Wagner respondeu que a operação havia resultado na morte de um homem procurado pela Justiça e acusado de crimes graves. A conversa foi narrada pelo senador eleito durante a entrevista e não teve sua íntegra apresentada no trecho fornecido.

Petista cita editorial do Estadão e alerta sobre o STF

Na sequência, Rui afirmou que o eleitorado precisa considerar as consequências institucionais da escolha presidencial. Para sustentar o argumento, citou um editorial do jornal O Estado de S. Paulo, publicado, segundo ele, cerca de duas semanas antes da entrevista.

O petista atribuiu ao texto a avaliação de que os eleitores não poderiam alegar desconhecimento sobre as relações políticas e as denúncias envolvendo o grupo de Flávio Bolsonaro caso optassem por votar no senador.

Rui também argumentou que o resultado da eleição terá impacto sobre futuras indicações para tribunais superiores, incluindo o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A declaração ocorre em meio à intensificação da campanha do segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro. Ao associar o adversário às discussões sobre milícias e crime organizado, Rui busca transformar a segurança pública e a integridade das instituições em temas centrais da decisão eleitoral.

Jornalista, com atuação na área de política e apaixonado por futebol. Foi coordenador de conteúdo do site Radar da Bahia, repórter do portal Primeiro Segundo e colunista em ambos os veículos. Atuou como repórter na Superintendência de Comunicação da Prefeitura Municipal de Lauro de Freitas e, atualmente, cobre política nos portais bahia.ba e Política Ao Ponto.

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