Vice-presidente rechaça receita recessiva inspirada em Javier Milei, defende corte de supersalários de R$ 400 mil e condena tentativa da oposição de arrochar aposentados que ganham R$ 1.621.
Questionado sobre os riscos que o chamado “tesouraço” — plano radical de cortes orçamentários anunciado pelo candidato Flávio Bolsonaro (PL) sob inspiração do argentino Javier Milei — representa para obras como a Ponte Salvador-Itaparica e para os benefícios previdenciários, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) subiu o tom contra o adversário.
Alckmin diferenciou a responsabilidade fiscal praticada pelo governo Lula da tentativa da oposição de penalizar pensionistas do INSS, e cunhou uma ironia fina sobre o despreparo administrativo do concorrente do PL.
“Nós defendemos o ajuste fiscal, mas é inaceitável querer fazer ajuste em cima do aposentado. Setenta por cento dos aposentados e pensionistas do INSS ganham um salário mínimo, R$ 1.621. Muitas vezes é uma pessoa idosa, com problemas de saúde, que não tem casa própria, e querem tirar R$ 40 dela? De jeito nenhum! Ajuste fiscal nós vamos fazer cortando os supersalários, os privilégios de R$ 300 mil, de R$ 400 mil e o desperdício”, cravou Alckmin.
Em seguida, o ex-governador paulista contrastou a bagagem administrativa de Luiz Inácio Lula da Silva com a falta de vivência executiva de Flávio Bolsonaro. “O presidente Lula tem experiência comprovada. Eu costumo dizer que o Brasil às vezes paga a bolsa de estudos mais cara do mundo, porque coloca em posições de altíssima relevância e responsabilidade pessoas totalmente sem experiência. E o resultado é desastroso. A relação dívida/PIB se melhora fazendo a economia e o emprego crescerem, nunca jogando o país na recessão para a classe média e os mais pobres pagarem a conta”, sentenciou.