Com vantagem matemática irreversível apurada pelo TSE, candidato petista supera a marca de 54% dos votos válidos, frustra projeções de virada da oposição e assegura o sexto mandato consecutivo do PT no Palácio de Ondina.
O governador Jerônimo Rodrigues (PT) está matematicamente reeleito para governar a Bahia por mais quatro anos. Dados oficiais consolidados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na noite deste domingo (4) confirmam que o petista liquidou a disputa ainda em primeiro turno, inviabilizando qualquer probabilidade aritmética de virada por parte do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil).
Com 67,11% das seções eleitorais totalizadas no estado (23.807 de um universo de 35.476 urnas apuradas), Jerônimo alcançou 54,00% dos votos válidos, somando 2.925.886 votos nominais. O candidato oposicionista aparece com 45,46%, totalizando 2.463.015 votos. A diferença de 462.871 votos em favor do atual chefe do Executivo, combinada com a concentração demográfica das seções restantes em redutos historicamente consolidados da base governista no semiárido e no interior, estabelece a irreversibilidade do resultado em turno único.
Até a última atualização do boletim oficial, o escrutínio registrava 5.910.275 votos apurados, sendo 5.418.248 votos válidos (91,68%), 152.840 votos em branco (2,59%) e 339.187 votos nulos (5,74%).
A consagração de duas décadas de hegemonia
A reeleição de Jerônimo Rodrigues, tendo novamente Geraldo Júnior (MDB) como vice-governador, carimba a extensão da mais duradoura dinastia partidária da história recente da Bahia. O Partido dos Trabalhadores, que assumiu o governo estadual em 1º de janeiro de 2007 com a posse de Jaques Wagner, completará 24 anos ininterruptos no poder ao término do novo ciclo administrativo, em 2030.
A vitória em turno único consolida o alinhamento da máquina baiana com o governo federal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reforçando a coesão do consórcio partidário de sustentação e confirmando o peso eleitoral da aliança entre PT e MDB no estado.
Os desafios prioritários do segundo mandato
Encerrada a disputa eleitoral, a gestão que se iniciará formalmente em 1º de janeiro de 2027 terá pela frente uma agenda administrativa com temas urgentes que pautaram os debates e as cobranças populares durante a campanha:
- Ponte Salvador-Itaparica: O principal desafio de infraestrutura do novo governo será imprimir ritmo definitivo às obras físicas do Sistema Rodoviário Ponte Salvador-Itaparica. Após a conclusão das etapas de dragagem, sondagem em águas profundas e adequações contratuais com o consórcio chinês, o Executivo precisará garantir celeridade na montagem dos canteiros e no cronograma das frentes marítimas e terrestres na capital e na Ilha.
- Fila da Regulação: Na área da saúde, o gargalo crônico do Sistema de Regulação de Urgência e Emergência continuará sob escrutínio direto da população. A gestão terá de aprofundar a descentralização dos serviços de média e alta complexidade, ampliar leitos de terapia intensiva nos hospitais regionais do interior e otimizar os fluxos de transferências para reduzir o tempo de espera de pacientes graves.
- Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado: O enfrentamento à violência urbana permanece como a área de maior sensibilidade social na Bahia. O segundo mandato de Jerônimo exigirá a intensificação das ações integradas de inteligência, o estrangulamento financeiro das facções criminosas que disputam territórios periféricos, a ampliação do contingente policial civil e militar e investimentos maciços em tecnologias de videomonitoramento e perícia técnica.
Com a proclamação matemática do resultado, a Justiça Eleitoral aguarda o encerramento da totalização das urnas para dar início ao rito burocrático que culminará na diplomação dos eleitos perante o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA).