Com 91,87% das urnas apuradas no país, senador do PL lidera disputa nacional por margem superior a 4,1 milhões de votos, enquanto presidente vence com folga em todo o Nordeste — registrando sua maior marca percentual no Piauí e o maior volume de votos na Bahia.
A eleição para a Presidência da República será decidida em segundo turno entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com 91,87% das seções eleitorais apuradas em todo o país (458.678 de um universo de 499.248 urnas), os dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontam Flávio Bolsonaro na dianteira nacional com 47,90% dos votos válidos (52.290.318 votos), contra 44,13% de Lula (48.177.437 votos).
A vantagem de 4.112.881 votos construída pelo candidato do PL nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste confirmou a necessidade de uma nova rodada eleitoral, enquanto a votação maciça obtida pelo chefe do Executivo nos estados nordestinos garantiu o equilíbrio aritmético para levar a decisão ao pleito final de 25 de outubro.

O desempenho de Lula nos nove estados do Nordeste
Diferente do cenário nacional, a Região Nordeste consolidou uma barreira expressiva em favor de Lula, que venceu em todos os nove estados da região com margens que variaram entre 55% e 70% dos votos válidos:
- Piauí: Maior índice percentual de Lula no país, alcançando 70,60% dos votos válidos (1.397.064 votos), contra 24,41% de Flávio Bolsonaro (482.959 votos).
- Bahia: Maior colégio eleitoral da região e responsável pelo maior volume absoluto de votos do petista, onde Lula obteve 65,26% dos votos válidos (4.405.094 votos), frente a 29,25% de Flávio Bolsonaro (1.974.678 votos).
- Maranhão: Lula liderou com 63,13% dos votos válidos (2.204.994 votos), enquanto Flávio registrou 31,68% (1.106.437 votos).
- Pernambuco: O presidente fechou o primeiro turno com 62,98% (3.195.215 votos), diante de 31,46% do adversário (1.596.188 votos).
- Sergipe: Vitória de Lula com 62,55% dos votos válidos (823.907 votos), ante 30,77% de Flávio (405.336 votos).
- Ceará: O petista contabilizou 62,22% dos votos válidos (2.936.236 votos), contra 32,13% do candidato do PL (1.515.980 votos).
- Paraíba: Lula atingiu 61,26% (1.528.361 votos), enquanto Flávio somou 33,11% (826.220 votos).
- Rio Grande do Norte: Votação pró-Lula de 59,74% (1.161.462 votos), diante de 34,75% de Flávio Bolsonaro (675.579 votos).
- Alagoas: Vitória petista com 55,60% dos votos válidos (771.330 votos), frente a 39,69% de Flávio Bolsonaro (550.652 votos).
Radiografia da votação nacional para a Presidência
No quadro geral computado pelo TSE até as 20h34, foram contabilizados 114.580.046 votos no total, sendo 109.160.300 nominais e válidos (95,27%), 2.104.942 em branco (1,84%) e 3.314.804 nulos (2,89%). O comparecimento ficou em 78,99%, com abstenção de 21,01% (30.469.932 eleitores).
A totalização oficial de todos os postulantes à Presidência da República registra:
- Flávio Bolsonaro (PL – 22): 47,90% (52.290.318 votos)
- Lula (PT – 13): 44,13% (48.177.437 votos)
- Escritor Augusto Cury (Avante – 70): 2,93% (3.194.018 votos)
- Renan Santos (Missão – 14): 2,29% (2.499.563 votos)
- Ronaldo Caiado (PSD – 55): 2,24% (2.448.370 votos)
- Romeu Zema (Novo – 30): 0,28% (307.629 votos)
- Samara (UP – 80): 0,11% (114.779 votos)
- Hertz Dias (PSTU – 16): 0,04% (40.344 votos)
- Clariana Barao (DC – 27): 0,03% (37.294 votos)
- Edmilson Costa (PCB – 21): 0,02% (20.766 votos)
- Veterinário Wilson Grassi (Democrata – 35): 0,01% (15.649 votos)
- Rui Costa Pimenta (PCO – 29): 0,01% (14.133 votos)
O cálculo das heranças eleitorais para o 2º turno
A redistribuição das forças que ficaram fora da rodada final coloca a centro-direita e os eleitores moderados no centro das articulações políticas. A soma dos desempenhos de Ronaldo Caiado (2,24%), Renan Santos (2,29%) e Romeu Zema (0,28%) totaliza 4,81% dos votos válidos nacionais, desenhando uma tendência natural de atração de segmentos conservadores e liberais para a candidatura de Flávio Bolsonaro na nova campanha.
No entanto, a transferência não se dará em bloco:
- A postura do partido Missão: Tendo pautado sua campanha no combate à polarização tradicional e em duras críticas tanto à esquerda quanto à cúpula bolsonarista, Renan Santos tende a adotar neutralidade institucional, sem endossar nenhum dos concorrentes. Esse posicionamento deve levar uma fatia expressiva de seus quase 2,5 milhões de eleitores a optar pelo voto nulo, branco ou pela abstenção no segundo turno.
- O contingente do Escritor Augusto Cury: Com 3,19 milhões de votos (2,93%), Cury desponta como o verdadeiro território em aberto da disputa. Seu eleitorado, marcado por um perfil humanista, centrista e voltado a propostas sociais de pacificação, será alvo prioritário tanto da campanha governista — que buscará atrair esse público pelo viés do diálogo democrático — quanto da oposição.
- Mobilização das bases estaduais: Do lado petista, a sólida vitória de Jerônimo Rodrigues no primeiro turno na Bahia e a consolidação de bancadas de sustentação no Nordeste servirão de alavanca para ampliar a participação do eleitorado e buscar a recuperação de votos nos grandes centros urbanos do país nas próximas quatro semanas.