Presidente estadual do PSD detalhou que foi informado por Gilberto Kassab sobre investida para romper aliança com Jerônimo e Lula e garantiu que o partido na Bahia possui diretório com autonomia irrevogável.
O senador Otto Alencar (PSD) revelou, em entrevista concedida ao apresentador Mário Kertész na Rádio Metrópole nesta quinta-feira (24), bastidores da movimentação política que culminou no rompimento do senador Angelo Coronel e do deputado federal Diego Coronel com a base governista baiana. Otto confirmou que houve uma articulação direta em São Paulo junto ao presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, e ao governador de Goiás, Ronaldo Caiado, com o objetivo de alterar a rota eleitoral do partido na Bahia para apoiar a candidatura de ACM Neto (União Brasil).
“Houve uma ida lá em São Paulo, o Caiado estava presente, segundo o Kassab me falou, e foram o senador Angelo Coronel e o deputado federal Diego Coronel na tentativa de mudar minha decisão aqui. Não era tomar o partido, porque não haveria como tomar, pois o PSD da Bahia tem diretório definitivo e eu tenho mandato; nem o presidente nacional pode intervir. A intenção era mudar a aliança já anunciada com o governador Jerônimo, com Lula, com Wagner e Rui, caminhando para uma composição com a oposição ou liberando o partido sem candidato ao governo. Isso ia matar o PSD e eu não aceitei”, relatou Otto.
O líder pessedista expôs a contradição no diálogo prévio que manteve com Coronel no dia da viagem. “Naquela manhã eu liguei para o senador Angelo Coronel dizendo que queria conversar, e ele me disse: ‘Não, eu vou a São Paulo fazer exames’. Na verdade, não eram exames, foi para essa reunião política. Mas o Kassab foi muito correto comigo, me telefonou em seguida e garantiu: ‘Vai continuar com você aí e não vai mudar absolutamente nada’. Sou fundador do partido e amigo de Kassab há quase 40 anos”, asseverou.
Otto destacou que a fidelidade à chapa de Jerônimo Rodrigues refletiu a vontade quase unânime das bases. “Consultei os prefeitos, os nove deputados estaduais e os deputados federais: a esmagadora maioria quis permanecer na aliança com Jerônimo e Lula. Dos nossos 117 prefeitos, apenas um ou dois saíram. Não se pode fazer política com o pé em duas canoas; tomamos a decisão correta e preservamos o partido forte”, concluiu.