Prefeito de Salvador diz que governador petista é responsável pelos gargalos do estado, critica modelo social do PT e cita obras emblemáticas paralisadas
Em entrevista concedida à Rádio Metrópole nesta quarta-feira (23), o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), voltou a fazer duras críticas à gestão do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e traçou um paralelo entre as eleições de 2022 e o atual cenário político e socioeconômico da Bahia.
Para o gestor da capital baiana, o governador carrega a responsabilidade pelos gargalos históricos do estado por integrar o mesmo grupo político que comanda o Executivo baiano há duas décadas.
“Hoje nós temos um adversário definido, que é responsável pelos problemas atuais e pelo acúmulo de problemas de 20 anos, porque representa o mesmo grupo“, afirmou Bruno Reis.
Relembrando a eleição de 2022
Ao analisar o pleito de 2022, quando Jerônimo Rodrigues venceu ACM Neto (União Brasil), Bruno Reis argumentou que o petista se beneficiou do desconhecimento do público e do desempenho de Luiz Inácio Lula da Silva no estado.
“O candidato natural era Jaques Wagner, não foi. Não sendo Wagner, o candidato era Otto Alencar, outro nome conhecido, também não topo. trouxeram o Jerônimo. Por outro lado, Jerônimo não tinha rejeição, não tinha desaprovação do governo, portanto não tinha limitadores que impedissem o seu crescimento. Atrás do número 13, ancorado numa candidatura à Presidência onde a maioria da Bahia queria mudar, Lula, mais forte, acabou dando este voto de confiança em Jerônimo“, analisou.
O prefeito declarou que os alertas feitos pela oposição durante aquela campanha se confirmaram.
“O que a oposição dizia de Jerônimo há quatro anos se confirmou até como pior do que nós imaginávamos. Ele nunca tinha exercido um mandato eletivo, nunca tinha exercido um cargo administrativo de relevância. Quando virou secretário de Educação, veio a pandemia e ele não pôde adquirir experiência nem exercer o fato de ser secretário“, criticou.
Críticas ao modelo de desenvolvimento e obras paradas
Bruno Reis também questionou a visão de governabilidade do PT, contrapondo o modelo assistencialista defendido pelos governistas ao foco na geração de emprego e renda proposto pela oposição.
“Se a gente analisar as cinco principais políticas públicas de qualquer governo — segurança, área social, saúde, educação e geração de emprego e renda —, nós estamos ou nas últimas posições ou, se fizer um comparativo, a Bahia só fez piorar nesses últimos 20 anos“, disparou.
“A nossa visão de governo é gerar riquezas e desenvolvimento econômico para as pessoas prosperarem e melhorarem de vida. O maior programa social de qualquer governo é crescimento econômico e geração de emprego e renda. A visão deles é assistência, a pessoa ficar dependendo do poder público, não ter sua autonomia para progredir através do trabalho“, acrescentou.
Para ilustrar o que classificou como falha de planejamento na infraestrutura baiana, o prefeito enumerou grandes obras paralisadas ou inacabadas no estado.
“A Ponte Salvador-Itaparica virou uma piada nacional. A Ferrovia Oeste-Leste (FIOL), que iria exportar os grãos do Oeste e o minério, está aí capengando, se ficar pronta está em 60% de execução. Criaram no sul da Bahia a expectativa do Porto Sul e nem projeto tem em 20 anos. E o grande exemplo aqui do lado, a BR-324, que virou um caos e dificulta os produtos chegarem e saírem do nosso porto“, concluiu.